SAÚDE E MEDICAMENTOS
Consenso internacional define critérios para reduzir ou pausar Ozempic e Mounjaro
Diretrizes publicadas no The Lancet estabelecem que a meta do tratamento vai além da balança, focando na preservação da massa muscular e saúde mental.
O uso de medicamentos da classe das incretinas, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, ganhou novas diretrizes clínicas para garantir a segurança dos pacientes a longo prazo. A decisão, estabelecida no início de julho de 2026, foi consolidada em um consenso internacional que orienta médicos sobre quando reduzir as dosagens ou suspender o tratamento, priorizando a qualidade de vida e a integridade física em vez da perda de peso isolada.
O documento, publicado no The Lancet Diabetes & Endocrinology, foi elaborado por três instituições europeias: a European Association for the Study of Obesity (EASO), a European Federation of the Associations of Dietitians (EFAD) e a European Coalition for People Living with Obesity (ECPO). O objetivo é deslocar o eixo do cuidado clínico, focando na preservação de músculos, na saúde mental e na nutrição adequada.
Fernando Valente, do Departamento de Educação em Diabetes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e do Departamento de Diabetes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), destaca que o tratamento não se resume à injeção. Segundo o especialista, uma perda de peso sem monitoramento rigoroso pode acarretar desnutrição, perda de massa muscular e sofrimento psíquico.
A orientação central é que a subida da dose até o teto previsto em bula não deve ser automática. A decisão sobre a dosagem deve ser individualizada, considerando a resposta clínica e o perfil metabólico de cada pessoa. O consenso lista sinais claros que pedem a revisão da conduta, como náuseas persistentes, perda de peso rápida demais, desnutrição ou incapacidade de manter a hidratação adequada.
Rodrigo Lamounier, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), enfatiza que a interrupção ou redução nem sempre indica falha no processo. Em muitos casos, a medida é uma decisão estratégica de bom senso, especialmente em idosos ou pacientes que já atingiram patamares de saúde satisfatórios.
Para combater os riscos de sarcopenia e perda de força, o documento coloca a prática de exercícios de resistência e o aporte proteico como pilares inegociáveis. Além disso, o consenso reconhece o conceito de "food noise" — o pensamento intrusivo e persistente sobre comida — e recomenda que o suporte psicológico acompanhe o tratamento, evitando crises de identidade ou angústia diante da mudança na relação do paciente com a alimentação.
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