SAÚDE E PREVENÇÃO
Alzheimer atinge mais mulheres e sinais podem surgir aos 45 anos
Pesquisas indicam que alterações hormonais durante a perimenopausa aceleram o declínio cognitivo; diagnóstico precoce é o novo foco da ciência.
A vulnerabilidade do cérebro feminino frente ao Alzheimer tornou-se o centro de novos debates científicos, revelando que duas em cada três pessoas diagnosticadas com a doença são mulheres. Especialistas reforçam que o impacto vai além da longevidade, sendo influenciado por fatores biológicos e hormonais críticos que exigem atenção redobrada durante a meia-idade.
A rotina de famílias, como a de Maria Edileuza da Silva, ilustra o desafio humano que acompanha o diagnóstico. Relatos coletados pelo Fantástico mostram que o Alzheimer, muitas vezes associado apenas à velhice, pode iniciar seu curso silencioso muito antes, por volta dos 45 anos. A neurocientista Lisa Mosconi, que lidera estudos nos Estados Unidos, aponta que a queda do estrogênio — hormônio essencial para a proteção neuronal, fluxo sanguíneo e controle de energia do cérebro — deixa o sistema nervoso feminino mais exposto à degeneração.
No cenário brasileiro, o neurocientista Mychael Lourenço destaca que a ciência avança para identificar a patologia em fases iniciais. Exames de sangue capazes de detectar marcadores precoces da doença já estão aprovados nos Estados Unidos e têm previsão de chegar ao Brasil. Contudo, o especialista ressalta a importância de distinguir esquecimentos comuns de quadros progressivos que comprometem o cotidiano, orientando que a busca por diagnóstico deve ocorrer diante de prejuízos reais à autonomia.
Apesar da complexidade do tema, a mensagem central para as mulheres é de proatividade. Estratégias como a manutenção de hábitos saudáveis — que incluem atividade física, controle do estresse e qualidade do sono — são recomendadas como formas de proteção cognitiva. Exemplos como o da artista plástica Maria do Socorro Leal, que mantém sua vitalidade aos 90 anos através de cuidados constantes, reforçam que o estilo de vida atua diretamente na preservação da memória e da dignidade durante o envelhecimento.
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