Deputado bolsonarista fica isolado na Câmara após prisão ser mantida

LÍDERES PARTIDÁRIOS MARCARAM PARA ESTA SEXTA, ÀS 17H, SESSÃO PARA ANALISAR SE DANIEL SILVEIRA DEVE SER SOLTO. FOTO: DIVULGAÇÃO

Após o juiz auxiliar Airton Vieira, do gabinete do ministro do STF Alexandre de Moraes, manter em audiência de custódia a prisão em flagrante do deputado bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ), líderes partidários da Câmara marcaram para esta sexta-feira (19), às 17h, sessão para analisar se ele deve continuar preso ou se deve ser solto.

Pela Constituição, a palavra final é do plenário da Casa. A tendência é que a ampla maioria dos deputados evite um confronto institucional e confirme a ordem do Supremo Tribunal Federal, o que acentua o isolamento de Silveira.

O deputado está preso desde a noite de terça-feira (16), por ordem de Moraes, relator do inquérito das fake news na corte. A prisão foi decidida após o deputado divulgar um vídeo com ataques verbais e ameaças a ministros do STF.

O plenário do Supremo ratificou a decisão de Moraes por unanimidade na quarta-feira (17), e a PGR (Procuradoria-Geral da República) denunciou Silveira em seguida.

Com a pressão do STF, o centrão passou a articular a manutenção da prisão do deputado bolsonarista. Nesta quinta, o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), disse que o colega tem de ser "punido exemplarmente". Silveira já está na mira do conselho de ética.

Já o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), se encontrou nesta quinta à noite com o presidente do STF, Luiz Fux, e com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Eles negaram que tivessem tratado do caso específico do parlamentar, mas Lira disse que o episódio com Silveira representou um "ponto fora da curva" e que não vai afetar a relação existente entre a Câmara e o Supremo.

A audiência de custódia do deputado bolsonarista, realizada por videoconferência, teve o objetivo de averiguar formalidades da prisão, sem entrar em questões de mérito. O juiz poderia ter revogado o flagrante ou convertido em preventiva ou temporária.No entanto, Vieira determinou a transferência do deputado da Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro para a carceragem de um batalhão da Polícia Militar. A ordem foi cumprida no início da noite.

Folha de S. Paulo

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