ESCÂNDALO NAS EMENDAS

Valdemar Costa Neto direcionou R$ 119 milhões em emendas mesmo sem mandato, diz PF

Valdemar Costa Neto, presidente do PL, em imagem de arquivo.
Valdemar Costa Neto, presidente do PL, teve seu nome citado em relatório da PF sobre uso irregular de emendas.

O ministro Flávio Dino, do STF, ordenou o bloqueio de R$ 119 milhões em verbas sob suspeita de interferência irregular de Valdemar Costa Neto na Câmara dos Deputados.

A Polícia Federal identificou um esquema de direcionamento de recursos públicos por parte do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que, apesar de não possuir mandato eletivo, teria exercido influência indevida sobre a alocação de emendas parlamentares. A decisão de investigar o caso chegou ao STF (Supremo Tribunal Federal) em 10 de julho de 2026, revelando a existência de uma estrutura informal composta por assessores da Câmara dos Deputados que operavam sob as orientações diretas do dirigente partidário.

Diante dos indícios de usurpação de competência, o ministro Flávio Dino determinou o bloqueio imediato do pagamento de R$ 119 milhões em emendas que podem ter sido influenciadas por Valdemar Costa Neto. A medida visa proteger o erário enquanto se apura a legitimidade dos fluxos orçamentários, visto que o magistrado considerou incompatível a atuação de um particular na disposição de verbas públicas sem o devido título jurídico.

Segundo o relatório enviado ao STF, a figura central na operacionalização do sistema era Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, ex-assessora do deputado Arthur Lira (PP-AL). As investigações apontam que ela gerenciava um núcleo que recebia comandos do presidente do PL. Em um dos episódios narrados pelos investigadores, datado de agosto de 2025, houve a articulação para destinar R$ 24 milhões ao setor de turismo após consultas ao dirigente.

Outro nome citado nas diligências é o do advogado Garigham Amarante Pinto, que integrava a liderança do PL na Câmara dos Deputados e, segundo a PF, servia como elo entre o diretório do partido e os servidores públicos. As mensagens trocadas indicam que o grupo tinha consciência da irregularidade, discutindo abertamente como contornar entraves administrativos e regimentais para viabilizar as vontades de Valdemar Costa Neto. A assessora Nara Benedetti Nicolau Brum também foi mencionada como partícipe no processamento das planilhas.

Na fundamentação de sua decisão, o ministro Flávio Dino ressaltou que, embora a estrutura de influência tenha sido mapeada, não há, neste momento, provas robustas que confirmem o desvio dos recursos para benefício pessoal dos envolvidos. O bloqueio, portanto, possui caráter cautelar para salvaguardar a moralidade administrativa e a correta aplicação do orçamento federal.

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