CRIME EM MOSSORÓ

Polícia investiga PIX de R$ 10 mil em conta de preso por atentado a vereador Cabo Deyvison (PL)

Dois homens presos em operação policial
Suspeitos de envolvimento no atentado foram presos no Ceará.

Investigação apura se transferência bancária de alto valor está ligada à execução do ataque que feriu Cabo Deyvison e matou seu assessor, Alyson Dyego de Oliveira.

A investigação sobre o atentado a tiros que feriu o vereador de Mossoró e pré-candidato a deputado federal Cabo Deyvison (PL), e resultou na morte de seu assessor, Alyson Dyego de Oliveira, ganhou novos contornos na noite desta terça-feira, 16 de julho de 2026. Dois suspeitos presos no Ceará confessaram participação no crime e a Polícia agora analisa um PIX de R$ 10 mil identificado em um dos celulares apreendidos, buscando apurar possível relação com a execução do ataque.

O crime ocorreu na noite de segunda-feira, 15 de julho de 2026, durante uma transmissão ao vivo realizada pelo parlamentar em frente à UPA do Alto de São Manoel. Homens armados efetuaram diversos disparos contra o vereador, que foi atingido nas pernas e passou por cirurgia para retirada de um projétil, permanecendo internado. Seu assessor, Alyson Dyego, não resistiu aos ferimentos e faleceu.

Nesta terça-feira, as forças de segurança anunciaram a prisão de José Antônio da Costa e Vinícius Gabriel da Silva Freitas, ambos naturais do Rio Grande do Norte e detidos em Beberibe (CE). Segundo as investigações, eles teriam participação direta no atentado e confessaram envolvimento.

Um novo elemento passou a chamar a atenção dos investigadores: o secretário estadual de Segurança Pública, coronel Francisco Araújo, confirmou ao Diário do RN que um PIX de R$ 10 mil foi localizado em um dos aparelhos apreendidos com os suspeitos. O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Alarico Azevedo, detalhou que a transferência bancária poderá ajudar a esclarecer a cadeia de financiamento da ação criminosa.

“Tinha uma mensagem de um PIX com o nome da pessoa e o valor de R$ 10 mil. Essa é a informação que a gente tem. Pode estar relacionada à ocorrência, como se fosse um pagamento, mas isso ainda será aprofundado pela Polícia Civil”, explicou o coronel Azevedo. As autoridades também trabalham com a possibilidade de participação de pelo menos três envolvidos no atentado. Na hora da prisão, os suspeitos tentaram danificar os celulares, mas a Polícia conseguiu recuperar e vai realizar a perícia nos aparelhos. Um colete à prova de balas também foi encontrado com os criminosos.

Enquanto as investigações avançam, Cabo Deyvison afirma que não pretende recuar de sua atuação política e mantém o discurso de enfrentamento ao crime organizado. Em vídeo publicado após o atentado, o vereador relacionou o episódio à sua atuação política e policial, destacando que em 14 anos como policial militar, nunca foi atingido, mas em pouco mais de um ano na política, sofreu duas tentativas contra sua vida.

O parlamentar prometeu continuar as denúncias que vinha realizando, declarando: “Vocês não vão conseguir me calar. Eu vou com mais força para cima de vocês”. Ele também afirmou que nada está descartado, incluindo envolvimento político e de facções. Nas semanas anteriores ao atentado, Cabo Deyvison intensificou seu discurso contra facções criminosas, chegando a citar nominalmente um suposto líder e fazendo um desafio público.

O caso provocou reação imediata de lideranças políticas do Rio Grande do Norte, incluindo a governadora Fátima Bezerra, que determinou empenho total das forças de segurança. Pré-candidatos ao governo como Allyson Bezerra e Cadu Xavier, além de Rogério Marinho (presidente estadual do PL) e Álvaro Dias, também se manifestaram, cobrando rigor e celeridade na apuração.

A repercussão nacional incluiu comentários do senador Flávio Bolsonaro, que associou o atentado ao avanço de facções criminosas e classificou o episódio como terrorismo. O atentado ganhou espaço em veículos como GloboNews, G1, Folha de S.Paulo, O Globo, CNN Brasil, UOL e Estadão.

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