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Camisa da Seleção é a mais cara entre campeões, revela BBC News Brasil

Neymar em jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2022, com o uniforme de 2026 em destaque.
Neymar em jogo que eliminou o Brasil da Copa do Mundo, no Catar, em 2022; uniforme de 2026 ainda não entrou em campo — Foto: Suhaib Salem/Reuters

Valor de R$ 749,99 representa 17,5% da renda média mensal do brasileiro, dificultando acesso à paixão nacional.

Um levantamento exclusivo da BBC News Brasil revelou, nesta quarta-feira, 20 de maio de 2026, que a camisa da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo custa R$ 749,99 e é a mais cara entre os oito países campeões mundiais, quando o preço é comparado à renda média per capita. Essa disparidade econômica impõe um fardo pesado sobre o torcedor brasileiro, transformando a aquisição de um símbolo de paixão e identidade nacional em um luxo para muitos.

No Brasil, o valor da camisa corresponde a cerca de 17,5% da renda média mensal per capita. O Banco Mundial calcula essa renda em US$ 859, ou R$ 4.289 na cotação atual, considerando o Produto Interno Bruto (PIB) convertido em dólares e dividido pelo número de habitantes.

Contudo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), estima uma renda líquida inferior, de R$ 3.367, cenário em que a compra da camisa comprometeria 22,2% da renda. Apesar disso, a reportagem optou pelos dados do Banco Mundial para padronizar a comparação entre as nações.

Se a análise considerasse o salário mínimo, a situação se agravaria: o preço da camisa alcançaria 46,3% da remuneração mensal no Brasil.

No entanto, essa comparação possui limitações. No Brasil, aproximadamente um terço dos trabalhadores recebe o salário mínimo, enquanto na Alemanha, apenas 6% da população ganha o piso legal. Por esse motivo, o salário mínimo não serve como um termômetro preciso da renda média em cada país.

Entre as nações que já ergueram o troféu, os custos mais elevados, proporcionalmente à renda, concentram-se nos três países sul-americanos presentes na lista. Em contraste, torcedores das nações europeias gastam no máximo 5,9% da sua renda média mensal para adquirir o uniforme oficial.

O 'manto' sagrado, como é carinhosamente chamado por muitos brasileiros, compromete a renda mensal da seguinte forma:

  • 3,7% da renda mensal na Alemanha;
  • 4% na Inglaterra;
  • 4,8% na França;
  • 5,2% na Itália;
  • 5,9% na Espanha;
  • 9,2% na Argentina;
  • 9,9% no Uruguai;
  • 17,5% no Brasil.

Apesar de os percentuais sul-americanos superarem os europeus, eles ainda permanecem aproximadamente 8% abaixo do custo imposto aos brasileiros.

Em uma análise de preços absolutos, realizada com cotações desta terça-feira, 19 de maio de 2026, a camisa brasileira, custando US$ 149,1, figura como a segunda mais acessível, superando apenas a da Argentina (US$ 107,5). Contudo, essa aparente vantagem se desfaz ao considerar o poder de compra: o Brasil se destaca, negativamente, como a nação mais onerosa para se adquirir o uniforme.

A BBC News Brasil elaborou esta comparação a partir do cruzamento de dados do Banco Mundial com informações fornecidas pelas lojas oficiais da Nike e da Adidas, fornecedoras dos uniformes das seleções.

Os valores mencionados referem-se aos modelos 'de jogador', réplicas exatas das peças utilizadas pelos atletas em campo. A Nike, por exemplo, que veste a Seleção Brasileira, destaca a tecnologia de circulação de ar e leveza do material como diferenciais.

A decisão de comparar apenas os modelos 'de jogador' baseia-se no fato de que, embora o Brasil ofereça alternativas mais acessíveis — como uma camiseta básica da CBF por R$ 149,90 —, nem todos os países disponibilizam opções equivalentes, vendendo apenas a versão idêntica à dos atletas.

Até o fechamento desta reportagem, a Nike não se manifestou sobre os questionamentos da BBC News Brasil a respeito dos critérios de precificação da camisa.

O alto custo da camisa da Seleção Brasileira não é novidade. Em 1998, antes da Copa do Mundo da França, o uniforme custava R$ 84, o que correspondia a 64,6% do salário mínimo daquele período (R$ 130) — um percentual até maior que o atual de 46,3%. Foi justamente em 1998 que a Nike iniciou sua parceria com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) na produção dos uniformes oficiais.

Desde então, a valorização da camisa superou a inflação. Corrigido pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial do IBGE para medir o custo de vida, o valor de R$ 84 de 1998 equivaleria hoje a R$ 438. Isso representa R$ 312 a menos do que o preço atual para a próxima Copa.

Os reajustes de preço entre as Copas do Mundo mostraram variações significativas. Entre o Mundial de 2014, sediado no Brasil, e a edição de 2018, na Rússia, o aumento atingiu 36,7%.

Entre a Copa na Rússia e a do Catar, em 2022, a alta foi ainda mais expressiva: 55,6%. O preço saltou de R$ 449,90 para R$ 699,99, um salto que contrastou com o IPCA acumulado de 29,1%. Pela lógica inflacionária, a camisa não deveria ter custado mais de R$ 581.

Para a próxima edição do Mundial, que ocorrerá no Canadá, Estados Unidos e México a partir de 11 de junho, o aumento foi de 7,1%, com o preço subindo de R$ 699,99 para R$ 749,99. Mesmo sendo um reajuste menor, a variação ainda superou a inflação acumulada, que indicaria um preço máximo de R$ 735.

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