AFRONTA GLOBAL

Brasil e Espanha acusam Israel de sequestro de ativistas em Gaza

Thiago Avila, ativista brasileiro detido por Israel em missão humanitária.
Ativista Thiago Avila, um dos detidos na flotilha humanitária.

Nota conjunta com Espanha chama ato em águas internacionais de 'ilegal'. Operação das FDI capturou 175 pessoas.

Em uma forte declaração divulgada nesta sexta-feira, 01/05/2026, o governo do Brasil, em nota conjunta com a Espanha, condenou veementemente a detenção de seus cidadãos por Israel, classificando a ação como "sequestro". A decisão de ambos os países vem após as Forças de Defesa de Israel (FDI) interceptarem barcos da flotilha Global SUMUD em águas internacionais, que tentavam levar ajuda humanitária vital para a Faixa de Gaza. Esta medida, segundo os governos, representa uma grave afronta ao Direito Internacional e gera profunda preocupação com a segurança e a dignidade dos ativistas.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, conhecido como Itamaraty, detalhou que os ativistas detidos, o brasileiro Thiago Avila e o espanhol Saif Abukeshek, faziam parte da missão humanitária interceptada próximo à Grécia. A detenção ocorreu em águas internacionais, longe da jurisdição israelense, o que reforça a condenação por parte de Brasil e Espanha como um ato "flagrantemente ilegal" e "acionável em cortes internacionais".

A nota conjunta exigiu o retorno imediato de seus cidadãos, com plenas garantias de segurança. Ambos os ativistas foram levados para território israelense após a interceptação, e Thiago Avila, em particular, já havia sido detido pelas Forças de Defesa de Israel em ocasiões anteriores, evidenciando um padrão preocupante.

As autoridades israelenses, por sua vez, informaram que 175 pessoas foram capturadas durante a operação. O governo de Benjamin Netanyahu, sem apresentar provas concretas, alegou que a flotilha estaria ligada ao Hamas e que o objetivo seria sabotar planos de paz e transição política na Faixa de Gaza. Essa acusação surge em um momento de alta tensão, com três palestinos mortos pelas FDI na quinta-feira, 30/04/2026, apesar do cessar-fogo em um conflito que já ceifou mais de 70 mil vidas no território palestino.

A interceptação e a detenção foram alvo de condenação global. Além de Brasil e Espanha, países como Turquia, Bangladesh, Colômbia, Jordânia, Líbia, Malásia, Maldivas, Mauritânia, Paquistão e África do Sul uniram-se em uma declaração de repúdio. Os ministros desses países expressaram "profunda preocupação com a segurança dos ativistas civis" e afirmaram que "os ataques israelenses contra as embarcações e a detenção ilegal de ativistas humanitários em águas internacionais constituem flagrantes violações do direito internacional e do direito internacional humanitário".

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