Temor
Bolsas de NY caem após ultimato de Trump ao Irã
Com a declaração de que "uma civilização inteira morrerá", ex-presidente dos EUA pressiona pela reabertura do Estreito de Ormuz. S&P 500 registra perdas de 0,89%.
Nesta terça-feira, 7 de abril, os mercados globais reagiram com forte queda nas principais bolsas de valores de Nova York, impulsionados pelo temor de uma escalada no conflito entre Estados Unidos e Irã. A instabilidade se acentuou após o então presidente dos EUA, Donald Trump, emitir uma ameaça grave contra o regime iraniano, declarando que "uma civilização inteira morrerá esta noite" e exigindo a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz. Essa declaração alarmou investidores e governos, levantando sérias preocupações sobre a segurança energética mundial e o risco de um conflito que poderia afetar a vida de milhões de pessoas e a estabilidade da economia global.
Mais cedo, Donald Trump havia dado um prazo final até as 21 horas (pelo horário de Brasília) desta terça para que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz. Localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, este canal marítimo é crucial para o comércio internacional e a economia global, sendo reconhecido como o "gargalo" mais importante do mundo para a energia. Cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL) transitam por suas águas, tornando sua interrupção uma ameaça iminente à segurança energética e ao fluxo de bens essenciais.
Diante do cenário de incerteza, as bolsas de Nova York registraram perdas significativas. Por volta das 11h20 (horário de Brasília), o índice Dow Jones recuava 0,78%, situando-se em 46,3 mil pontos. No mesmo período, o S&P 500 registrava queda de 0,89%, atingindo 6,5 mil pontos, enquanto o Nasdaq Composto, que concentra ações de empresas de tecnologia, tombava 1,31%, marcando 21,7 mil pontos.
A ameaça direta de Trump foi publicada em sua rede social, a Truth Social. O ex-presidente dos EUA escreveu: "Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá". Ele prosseguiu, sugerindo a possibilidade de uma "mudança de regime completa e total" no Irã, onde "mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevaleçam, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer, quem sabe?".
Trump concluiu a série de posts afirmando: "Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã". A declaração coincidiu com o ultimato de 45 dias dado ao Irã para a reabertura gradual do Estreito de Ormuz, a principal rota global de transporte de petróleo.
Em resposta, o governo iraniano classificou os termos propostos como "ilógicos" e reforçou sua postura de não negociar sob ameaça. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou no X (antigo Twitter) que ele e milhões de iranianos estão dispostos a "sacrificar suas vidas" em defesa do país. "Mais de 14 milhões de bravos iranianos já declararam sua prontidão para sacrificar suas vidas em defesa do Irã. Eu também sacrifiquei a minha vida pelo Irã, e continuarei a fazê-lo", escreveu Pezeshkian, reiterando a firmeza da nação diante das pressões internacionais.
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