ESCALADA NO CONFLITO
Houthis impõem embargo marítimo à Arábia Saudita e elevam tensão no Oriente Médio
Grupo rebelde justifica o bloqueio como represália por cerco prolongado e ameaça o fluxo de petróleo global após novos ataques na região.
O movimento rebelde Houthis declarou um embargo marítimo contra a Arábia Saudita, classificando a nação vizinha como "criminosa". A decisão, anunciada pelo porta-voz militar Yahya Saree, estabelece o bloqueio com efeito imediato, sob a premissa de retaliação baseada na lei de "olho por olho". O grupo justifica a medida como uma resposta direta ao cerco imposto pela Arábia Saudita ao Iêmen por quase 12 anos, que, segundo os insurgentes, restringe o acesso a recursos essenciais através de portos e aeroportos.
A tensão na região atingiu um nível crítico após o ataque norte-americano à infraestrutura energética iraniana na noite deste domingo (19). Na quinta-feira (16), fontes ouvidas pela Reuters já indicavam que os Houthis estavam em sobreaviso para fechar o Estreito de Bab-el-Mandeb, no Mar Vermelho, caso os Estados Unidos avançassem contra o Irã. O bloqueio desta rota, vital para o comércio mundial, conta com a coordenação estratégica da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), que mantém consultores no Iêmen para supervisionar a operação de mísseis e drones posicionados no entorno da passagem.
A gravidade da medida reside no risco de desabastecimento global. Com o Estreito de Ormuz já fechado, o fechamento de Bab-el-Mandeb interromperia as duas principais rotas de exportação de petróleo do Oriente Médio simultaneamente. Especialistas temem que a escalada transforme a crise energética em um conflito direto e abrangente entre Teerã e Washington.
O Irã, que integra os Houthis ao seu denominado "Eixo da Resistência" — ao lado do Hezbollah do Líbano — nega formalmente as acusações dos Estados Unidos de fornecer financiamento, armamento e treinamento aos rebeldes. No entanto, as ameaças de Abdul Malik al-Houthi contra instalações vitais de Riad reforçam o papel do grupo na expansão das hostilidades regionais, que já haviam registrado escalada na segunda-feira (13), com o lançamento de mísseis após o rompimento de uma trégua de quatro anos.
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