CÂNCER DE PULMÃO
Pesquisadores identificam 14 proteínas no sangue para prever câncer de pulmão com até cinco anos de antecedência
Estudo publicado na revista Cell utiliza aprendizado de máquina para analisar assinaturas inflamatórias, expandindo o rastreamento para além dos fumantes e idosos.
Uma nova esperança surge no rastreamento do câncer de pulmão: cientistas identificaram um conjunto de 14 proteínas no sangue capazes de prever o desenvolvimento da doença com até cinco anos de antecedência. A descoberta, anunciada nesta sexta-feira, 05/06/2026, representa um avanço significativo ao ir além dos critérios tradicionais de rastreamento, que se limitam a indivíduos com mais de 50 anos e histórico de tabagismo, excluindo não fumantes e pessoas expostas à poluição do ar.
A pesquisa, resultado da colaboração entre instituições britânicas renomadas como o Centro de Pesquisa Biomédica do Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde e Cuidados (UCLH), empregou aprendizado de máquina para analisar dados de mais de 48 mil participantes do UK Biobank. O objetivo foi detectar uma "assinatura inflamatória" específica no plasma sanguíneo, indicativa de um risco elevado para o câncer de pulmão.
Publicado na revista Cell, o estudo revelou que as 14 proteínas-chave identificadas antecipam o diagnóstico da doença, demonstrando consistência em oito conjuntos de dados globais. Notavelmente, a assinatura proteica mostrou-se elevada em pacientes que adoeceram posteriormente, inclusive em um grupo de não fumantes, reforçando a potencial aplicação universal da descoberta.
Tej Pandya, estudante de doutorado da UCL e cientista visitante no Instituto Francis Crick, destacou a importância da prova de conceito: "Um dia, essas assinaturas poderão ser usadas para oferecer tratamento preventivo a pessoas com risco de câncer de pulmão". Ele explicou que a assinatura reflete um ambiente inflamatório pulmonar alterado antes mesmo do desenvolvimento do câncer, um sinal que não se origina diretamente do tumor, mas de um pulmão com inflamação estabelecida.
Hayley Brown, gerente de Informações de Pesquisa da Cancer Research UK, ressaltou o potencial da pesquisa para intervir precocemente. "Ao revelar os primeiros sinais de alerta do câncer, esta pesquisa nos aproxima da possibilidade de intervir mais cedo e, potencialmente, impedir a doença antes que ela comece", afirmou.
A inflamação pré-patológica observada também foi associada a outras complicações pulmonares graves, como fibrose pulmonar idiopática e doença pulmonar obstrutiva crônica, sugerindo um início comum em inflamações pulmonares ligadas à idade. Investigando os gatilhos, os cientistas descobriram que a exposição à poluição do ar pode estimular o sistema imunológico a liberar a interleucina-1 beta, um sinal inflamatório que ativa células com mutações, as chamadas KAC, que podem evoluir para câncer.
Testes em camundongos expostos a poluentes demonstraram que o bloqueio dessa interleucina reduziu a população dessas células modificadas e desacelerou a formação inicial de tumores. Os envolvidos acreditam que o projeto abre caminho para terapias preventivas futuras, antes que o câncer de pulmão se consolide.
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