SAÚDE E MEIO AMBIENTE

Pesquisa identifica contaminação por metais pesados em Camarões no Amapá

Pesquisadores coletando amostras de Camarões para análise laboratorial no Amapá
Pesquisadores realizam análises na rede pública do Amapá — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Estudo científico realizado pela Ueap e Unifap alerta sobre riscos à saúde de comunidades ribeirinhas devido ao avanço do garimpo ilegal.

Pesquisadores da Universidade do Estado do Amapá (Ueap) e da Universidade Federal do Amapá (Unifap) utilizam Camarões como bioindicadores para mapear a contaminação por metais pesados em rios do Estado. A decisão de ampliar os estudos científicos, divulgada nesta segunda-feira, 20/07/2026, visa compreender a extensão dos danos causados pelo garimpo ilegal, que tem deixado um rastro de mercúrio, chumbo e arsênio nos ecossistemas locais.

A escolha dos Camarões como objeto de estudo deve-se à alta sensibilidade desses crustáceos, que absorvem poluentes tanto nos tecidos quanto na carapaça. A capacidade de bioacumulação permite que a equipe científica identifique, com precisão laboratorial, o nível de toxicidade das águas, oferecendo um alerta crítico para a saúde das populações que dependem do consumo desses animais.

"Os Camarões possuem um alto poder de bioacumulação. À medida que se consome esses animais, ocorre o acúmulo de contaminantes no organismo humano", explica o biólogo Jefferson Romário. Segundo o pesquisador, o estudo é fundamental para embasar políticas públicas de proteção ambiental e segurança alimentar no Amapá, onde a pressão antrópica tem degradado recursos hídricos essenciais.

A gravidade da situação reflete a expansão da atividade mineradora predatória. Em 2026, a Polícia Federal (PF) intensificou o combate ao crime organizado, realizando três operações focadas na repressão ao garimpo ilegal. Entre as ações recentes, destaca-se a intervenção no Santuário das Árvores Gigantes, região que abrange Laranjal do Jari (AP) e Almeirim (PA), onde a extração de ouro e cassiterita ameaça a biodiversidade.

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