CONDUTA DE SERVIDOR
Servidor que filmou mulheres manteve salários mesmo após prisão
Mesmo após ser preso por filmar mulheres sem consentimento, o funcionário do Ministério da Cultura continuou recebendo remuneração e gratificações.
O servidor público federal Pablo Silva Santiago continuou a receber remuneração e gratificações do Ministério da Cultura enquanto esteve privado de liberdade. A decisão de manter os pagamentos ocorre em meio a um processo judicial que investiga o servidor por filmar mulheres em situações íntimas sem autorização.
Dados extraídos do Portal de Transparência do Governo Federal indicam que, apenas entre janeiro e junho do corrente ano, Pablo recebeu aproximadamente R$ 34,7 mil. Em junho, os valores chegaram a R$ 7,7 mil devido à gratificação natalina. Informações sobre os vencimentos entre maio de 2025, data da prisão, e dezembro do mesmo ano não constam como públicas.
O impacto dessas violações na dignidade das vítimas é profundo, visto que o material gravado, que inclui registros desde 2017, era utilizado por Pablo para troca de arquivos de necrofilia em grupos de Telegram. O caso, denunciado à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), expõe a vulnerabilidade de mulheres em ambientes privados, como banheiros de casas de conhecidos e familiares.
Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu habeas corpus ao acusado. Na decisão proferida pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca, a prisão preventiva foi revogada sob o argumento de desproporcionalidade entre o tempo de cárcere e a pena máxima prevista para o crime de registro não autorizado da intimidade sexual. Embora tenha sido liberado, Pablo deve cumprir medidas cautelares, como a proibição de contato com as vítimas e a realização de acompanhamento psicológico.
O Ministério da Cultura informou, na ocasião em que as denúncias ganharam notoriedade, que um procedimento apuratório foi instaurado e o servidor chegou a ser afastado, contudo, o órgão não atualizou o status administrativo de Pablo até o momento. A defesa do réu não foi localizada para comentar a continuidade dos pagamentos.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário