JUSTIÇA EM FOCO
Nunes Marques abre inquérito contra ministro do STJ por assédio
Investigação da Polícia Federal tem prazo inicial de 60 dias para apurar denúncias. STJ pode abrir PAD em 14 de abril de 2026.
Em um desdobramento que abala as estruturas do Poder Judiciário, o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatou um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para instaurar um inquérito contra o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A decisão, que marca o início formal da investigação sobre graves denúncias de assédio sexual contra o magistrado, é crucial para a apuração da verdade e para reafirmar a integridade das instituições, especialmente em um momento em que a confiança na Justiça é fundamental. O inquérito terá um prazo inicial de 60 dias e será conduzido pela Polícia Federal (PF), com o objetivo de lançar luz sobre as acusações que já levaram o ministro Buzzi ao afastamento de suas funções.
As denúncias de assédio sexual contra o ministro Marco Buzzi, reveladas pelo Metrópoles, motivaram a solicitação da PGR. O ministro Nunes Marques considerou a existência de elementos suficientes para justificar a abertura da investigação, reforçando o compromisso com a apuração de condutas que comprometam a dignidade e a ética no serviço público.
Em resposta às acusações e à abertura do inquérito, a defesa do ministro Buzzi emitiu uma nota contundente, repudiando o que chamou de 'campanha sistemática de acusações' e afirmando a ausência do 'direito básico de defesa'. O comunicado sustenta que o magistrado 'não cometeu qualquer ato impróprio ao longo de sua trajetória' e que as alegações apresentadas 'carecem de provas concretas'. A defesa também levanta suspeitas sobre a origem das narrativas, apontando para uma advogada com 'interesses diretos em processos e decisões no âmbito do Superior Tribunal de Justiça'.
Paralelamente, a defesa de Buzzi havia solicitado ao Supremo a suspensão de uma sindicância interna conduzida pelos ministros Francisco Falcão, Antonio Carlos Ferreira e Raúl Araújo. No entanto, o ministro Nunes Marques rejeitou o argumento de que as provas testemunhais seriam ilícitas por terem sido produzidas sem a participação dos advogados do investigado, conforme já havia noticiado esta coluna.
A tensão no STJ se intensifica com a expectativa de uma nova reunião do plenário, marcada para esta terça-feira, 14 de abril de 2026. Em sessão secreta, os ministros deliberarão sobre a possível abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o magistrado, um passo que poderia ter consequências ainda mais severas para a carreira de Marco Buzzi e para a imagem do tribunal.
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