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Datafolha revela clamor por mulher no Supremo

Plenário do STF, com ministros sentados em semicírculo, em sessão plenária.
Plenário do STF discute o formato da sucessão do Rio de Janeiro.

51% dos brasileiros consideram crucial indicação feminina. Pesquisa aponta também desejo por maior diversidade racial e religiosa na Corte, que tem uma vaga em aberto.

A sociedade brasileira clama por maior representatividade no Supremo Tribunal Federal (STF), um anseio claramente capturado por pesquisa do Datafolha divulgada nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026. O levantamento revela que 51% dos brasileiros consideram "muito importante" a indicação de uma mulher para a Corte, um posicionamento que ecoa a busca por uma composição mais diversa e alinhada à realidade do país, especialmente diante de uma vaga crucial em aberto.

Atualmente, entre os 10 ministros que compõem o STF, apenas a ministra Cármen Lúcia representa o gênero feminino. A pesquisa detalha que, além dos 51% que veem a questão como muito importante, outros 18% consideram a escolha de uma mulher "um pouco importante", enquanto 27% afirmam que não tem "nada importante".

A demanda por diversidade não se restringe ao gênero. Para 46% da população, a indicação de uma pessoa negra ao Supremo é "muito importante". Outros 16% a julgam "um pouco importante", e 34% creem que não possui importância. A Corte tem hoje dois ministros que se autodeclaram pardos: Kássio Nunes Marques e Flávio Dino.

O fator religião também figura entre as expectativas do público. O Datafolha aponta que 46% dos brasileiros julgam "muito importante" que um novo ministro seja religioso, enquanto 20% atribuem a isso uma importância menor.

A pesquisa, que serve de termômetro para as expectativas sociais, entrevistou 2.004 pessoas em 139 municípios brasileiros, entre 12 e 13 de maio de 2026. Sua margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ocorreu sob o número BR-00290/2026, garantindo sua validade e transparência.

Esses dados ganham relevância em um momento em que a 11ª vaga do Supremo permanece em aberto desde outubro do ano passado, quando o ministro Luís Roberto Barroso se aposentou. A escolha para este posto tem sido palco de intensa disputa e negociações políticas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a apresentar o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o cargo, mas a indicação enfrentou resistência e foi rejeitada pelo Senado em abril. A recusa por 42 senadores marca um fato inédito desde 1894, sendo a primeira vez que uma nomeação presidencial para o STF não é aceita em mais de um século.

Aliados do presidente atribuem a derrota a uma manobra política orquestrada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). Alcolumbre, por sua vez, defendia a indicação do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a Corte, evidenciando as complexas tramas de poder nos bastidores.

Apesar da clara recusa do Senado, o presidente Lula tem sinalizado a seus apoiadores a intenção de manter Jorge Messias como seu indicado. Conforme noticiado na coluna de Igor Gadelha no Metrópoles, o presidente indica que não pretende recuar, reafirmando sua escolha inicial e elevando a tensão sobre a futura composição do Supremo.

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