Em depoimento, Henrique Alves admite ter recebido dinheiro para a campanha de 2014 através de caixa 2 e diz que 'MP agiu por desinformação'
JUSTIÇA FEDERAL OUVIU O EX-DEPUTADO HENRIQUE ALVES SOBRE AS ACUSAÇÕES NESTA SEXTA-FEIRA (9) (FOTO: PEDRO VITORINO)
O ex-deputado e ex-ministro Henrique Alves prestou depoimento hoje (09) à Justiça Federal e negou todas as acusações contra ele na Operação Manus. “Acredito que o Ministério Público não agiu por má-fé, e sim por desinformação. Em toda minha vida pública, nunca pratiquei esses atos que constam na denúncia”, declarou Henrique no depoimento que durou aproximadamente 5h.
Além de Henrique Alves, a Operação Manus tem como réus o ex-deputado Eduardo Cunha, José Adelmário Pinheiro Filho, Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis, Carlos Frederico Queiroz Batista da Silva e o publicitário Arturo Silveira Dias de Arruda Câmara.
A ação foi deflagrada em junho de 2017, e investiga corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro na construção da Arena das Dunas, em Natal. Segundo a Polícia Federal, a Manus foi um desdobramento da operação Lava Jato.
Durante o depoimento de hoje, o juiz federal Francisco Eduardo Guimarães questionou a Henrique Alves se ele e Eduardo Cunha teriam recebido em 2012, da OAS, R$ 700 mil em doações, para que os parlamentares atuassem em favor da empresa na aprovação da Lei Complementar 283/2013, que trata da privatização dos Aeroportos do Galeão (RJ) e Cofins (MG).
Em resposta, Alves alegou que não cabia a ele, enquanto presidente da Câmara Federal que era à época, negociar emendas. “Na época eu era presidente da Câmara. Não cabe a mim nessa função negociar emendas nem andamento dos projetos, apenas colocá-los em pauta. E assim os fiz, me reunindo com os líderes todas as terças-feiras, sempre de forma transparente. Na época eu chegava a receber 25, 30 pessoas por dia em meu gabinete ou em reuniões. O senhor (juiz) imagine a quantidade de pautas e demandas”, afirmou. “O presidente da Câmara não vota (nos projetos), não atuou para favorecer a aprovação da Lei Complementar”, argumentou o ex-ministro.
A empresa doou R$ 2 milhões. A denúncia diz que, em troca do dinheiro, o ex-ministro, que na ocasião tentava ser governador do Estado, teria prometido a privatização da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern). Quanto a isso, Henrique Alves também disse que a acusação não procede.
“Minha campanha reuniu 17 partidos. Discutimos sobre PPP's (Parcerias Público-Privadas), mas entendemos as contribuições das empresas como importantes, inclusive a da Odebrecht. Não exibimos qualquer contrapartida, não foi realizada nem pleiteada. Também não cheguei a oferecer nada”, alegou.
De todo modo, o juiz Francisco Eduardo Guimarães lembrou que, apesar da possibilidade levantada pelo próprio réu de caixa 2, este é um crime eleitoral, que não consta na denúncia da Operação Manus e, portanto, não seria levado em consideração no depoimento.
Os depoimentos serão retomados na sexta-feira (13), quando a última pessoa envolvida no processo vai depor à Justiça Federal, o ex-deputado federal Eduardo Cunha, que falará por videoconferência.
DEPOIMENTO DO EX-MINISTRO DUROU CERCA DE 5 HORAS. ( FOTO: PEDRO VITORINO)
Com informações do G1 RN
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