PODER E ECONOMIA

Trump ameaça demitir chefe do Federal Reserve

Justiça dos EUA abre investigação contra presidente do FED
Justiça dos EUA abre investigação contra presidente do FED

Indicação de Kevin Warsh busca política de juros mais baixa. Powell investigado por Departamento de Justiça.

Na quarta-feira, dia 15, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou a possibilidade de demitir Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), caso este não se afastasse após a posse de um novo líder para a instituição. A manobra, motivada pela busca de Trump por uma política de juros mais flexível, visava substituir Powell por seu indicado, Kevin Warsh. Essa controvérsia acende um alerta sobre a autonomia do banco central americano e as consequências diretas para a economia e a vida dos cidadãos, impactando as decisões que moldam o futuro financeiro do país.

Trump manifestou sua convicção de que as taxas de juros cairiam sob a gestão de Warsh, cujo nome foi anunciado em janeiro. A indicação de Kevin Warsh para presidir o Conselho de Governadores do Federal Reserve ainda dependia da aprovação do Senado, com o presidente expressando a expectativa de uma confirmação já na semana seguinte à sua declaração.

No centro da polêmica, Powell confirmou, ainda em janeiro, ter se tornado alvo de uma investigação do Departamento de Justiça (DOJ). Em uma mensagem de vídeo divulgada na rede social X, ele atribuiu a abertura do inquérito à pressão governamental, liderada por Trump, sobre a política de juros do banco central. A investigação criminal, conduzida por procuradores federais, teve início após o depoimento de Powell ao Congresso, em junho, acerca da reforma de US$ 2,5 bilhões da sede do Fed em Washington.

Parlamentares questionaram possíveis excessos no projeto de reforma da sede do Fed. A republicana Anna Paulina Luna chegou a solicitar ao Departamento de Justiça uma apuração por suposto perjúrio. Powell, por sua vez, nega qualquer irregularidade e classifica a investigação como uma “ameaça” diretamente ligada à pressão política para alterar os juros. Tanto a Casa Branca quanto Donald Trump negam qualquer envolvimento na abertura do inquérito.

Uma Disputa Pelo Controle da Economia

Este não foi o primeiro embate entre o então presidente americano e o chefe do Banco Central dos EUA. Durante o primeiro mandato de Trump e, conforme o texto original indica, desde um suposto retorno do republicano à Casa Branca, há um ano, ambos entraram repetidamente em confronto devido a decisões sobre a taxa de juros. As críticas de Donald Trump ao Federal Reserve intensificaram-se ao longo de 2025, principalmente pela manutenção dos juros estáveis. Essa pressão constante do poder executivo sobre a autonomia do Fed levanta sérias preocupações sobre a estabilidade e a credibilidade da política monetária do país.

Em março de 2025, Trump declarou que o banco central estaria “muito melhor” se reduzisse as taxas, reiterando a defesa por cortes em abril de 2025, ao anunciar novas tarifas de importação. A escalada do tom ocorreu em julho de 2025, após a manutenção dos juros, quando o presidente chegou a chamar Jerome Powell de “estúpido” e “cabeça oca”, alegando que a política monetária prejudicava a população e a economia.

O alcance da intervenção de Trump estendeu-se a outros membros importantes do Fed, como Lisa Cook, integrante do conselho de administração. O presidente tentou destituí-la sob a acusação de fraude hipotecária, um litígio que ainda aguarda uma audiência na Suprema Corte dos EUA, mostrando que a batalha pela influência na instituição ainda não tem um desfecho definitivo.

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