SOBERANIA DIGITAL
Petro defende Pix e acusa EUA de usar sanções políticas
Presidente da Colômbia critica relatório comercial americano e pede ao Brasil que estenda sistema de pagamentos ao seu país, intensificando debate sobre autonomia financeira.
No sábado, 4 de abril de 2026, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, utilizou suas redes sociais para fazer uma contundente defesa do sistema de pagamentos Pix, do Brasil, e para solicitar que essa modalidade seja adotada em seu país. A declaração surge como uma resposta direta às recentes críticas dos Estados Unidos, que em um relatório comercial apontaram o Pix como uma possível ameaça à concorrência no mercado financeiro global. Este posicionamento de Petro não apenas alinha a Colômbia ao Brasil na defesa de uma tecnologia financeira soberana, mas também intensifica as tensões diplomáticas com Washington, levantando um debate crucial sobre autonomia econômica e o papel das sanções no cenário internacional.
“Peço ao Brasil que estenda o sistema Pix à Colômbia”, afirmou Petro em uma publicação na plataforma X. O líder colombiano não poupou críticas à lista de sanções do Ofac (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros), órgão do Tesouro dos EUA. Segundo ele, o mecanismo “já não é uma arma contra o narcotráfico” e estaria sendo indevidamente empregado como instrumento de controle político sobre nações e suas economias.
Petro foi além, apontando que grandes nomes do tráfico internacional conseguem burlar o sistema de sanções, vivendo com luxo em destinos como Dubai. Em sua manifestação, o presidente também abordou o tema dos conflitos internacionais, defendendo que guerras “não servem para nada” e trazem perdas para toda a humanidade.
“Nenhuma guerra é boa, e toda a humanidade perde com elas. Por isso, pedi ao presidente dos EUA, Donald Trump, que as interrompesse imediatamente, mas seu círculo íntimo quer sangue e o desvia do caminho a cada passo”, declarou Petro, ressaltando sua visão de que a diplomacia deve prevalecer sobre o confronto. Ele ainda classificou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, como “sanguinário e genocida”, acrescentando: “Sei que estão enganando o presidente Donald Trump, explorando seus próprios preconceitos, e já passou da hora de ele se libertar disso pelo bem da humanidade”.
Entenda as críticas dos EUA ao Pix
O pano de fundo para a defesa veemente de Petro é a inclusão do Pix no relatório anual do USTR (Escritório do Representante Comercial) dos EUA. O documento aponta que o Banco Central do Brasil, ao criar, possuir, operar e regular o Pix, pode inadvertidamente reduzir o espaço de mercado para empresas estrangeiras de pagamentos, como Visa e Mastercard, ao dar tratamento preferencial à plataforma nacional.
O texto do relatório observa que instituições financeiras com mais de 500 mil contas são obrigadas a oferecer o Pix. Na avaliação norte-americana, essa exigência pode criar uma desvantagem competitiva significativa para fornecedores externos de serviços de pagamento eletrônico, o que intensifica um debate diplomático sobre política econômica e tecnologia financeira entre os dois países.
A tensão entre as nações não é recente. Em 2025, a administração Trump já havia imposto tarifas elevadas sobre produtos brasileiros, chegando a até 50% em itens como café, carne e aço. Além disso, abriu uma investigação sob a Seção 301 da lei comercial dos EUA para apurar supostas práticas discriminatórias do Brasil em setores como comércio digital e serviços de pagamento eletrônico. A defesa do Pix pelo presidente colombiano, portanto, adiciona uma nova camada a esse intrincado cenário geopolítico e econômico.
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