Retórica
Lula critica big techs e alerta para "colonialismo digital"
Presidente Lula aponta ambiente virtual "tóxico" e defende regulação urgente das plataformas digitais para proteger a soberania do Brasil.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou veementemente as grandes empresas de tecnologia, conhecidas como big techs, nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026, em Barcelona. Durante uma declaração conjunta com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez (PSOE, esquerda), Lula alertou sobre o risco de um "colonialismo digital" e defendeu a necessidade urgente de regulamentar as plataformas digitais. Ele ressaltou que a ausência de controle permite a extração e monetização de dados dos cidadãos, concentrando poder político e econômico nas mãos de um punhado de bilionários. Essa dinâmica transforma o ambiente virtual em um espaço "tóxico" que ameaça a soberania nacional e a própria democracia, especialmente em anos eleitorais.
A preocupação central de Lula reside na forma como a vida digital de milhões de pessoas é moldada por algoritmos que lucram com cada clique, transformando informações pessoais em uma moeda de alto valor sem o devido retorno ou controle. "Nossos dados são extraídos, monetizados e usados para concentrar o poder político e econômico nas mãos de um punhado de bilionários", enfatizou o Presidente, destacando o impacto direto na dignidade e autonomia dos indivíduos.
Lula reiterou sua defesa pela ampliação da regulação das plataformas, citando o ECA Digital – assinado em março de 2026 para regulamentar medidas de segurança para crianças e adolescentes nas redes sociais – como "o primeiro passo que nós precisamos dar para muitos outros assuntos". Para o chefe de Estado, é fundamental proteger o país de interferências externas, assegurando a soberania brasileira em um cenário global cada vez mais interconectado. "Nós precisamos agora regular tudo que for digital, para que a gente dê soberania ao nosso país e que não permita, inclusive, intromissão de fora", declarou.
O Presidente também propôs que Brasil e Espanha invistam em estratégias de soberania digital. Ele anunciou a promoção de uma cooperação entre o Centro Nacional de Supercomputação de Barcelona e o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), no Brasil. O objetivo é desenvolver projetos conjuntos em inteligência artificial e outras áreas de vanguarda tecnológica. "É um problema da humanidade", avaliou Lula, sublinhando a dimensão global do desafio.
Em sua fala, Lula criticou duramente a "indústria da mentira", que, segundo ele, dissemina ódio, violência verbal e desinformação. "Não é possível tratar como normal e como liberdade de expressão a indústria da mentira, da transmissão do ódio, da violência verbal e da desinformação, como ela tem acontecido no planeta. Não é possível", afirmou, sublinhando a urgência de diferenciar liberdade de expressão de práticas que corroem o tecido social e minam a confiança pública.
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