ENVELHECIMENTO ATIVO

Corpo humano: perda de força começa aos 35 anos

Mulher em foco treinando e levantando peso, simbolizando força e atividade física em meio ao envelhecimento.
Estudo sueco mostra que a atividade física, mesmo iniciada mais tarde, ajuda a mitigar a perda de força e condicionamento. Foto: Alexapopovich/Pexels

Pesquisa acompanhou participantes por 47 anos e aponta que atividade física retarda, mas não impede a perda de desempenho.

Pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, revelaram que o corpo humano inicia o declínio de força e condicionamento físico por volta dos 35 anos, contrariando a percepção comum de que esse processo se manifesta muito mais tarde. O estudo, publicado em novembro de 2025 no periódico Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle, destaca a importância de entender como o envelhecimento afeta o desempenho físico, com implicações diretas para a saúde e a qualidade de vida.

Os dados resultam de um acompanhamento longitudinal excepcional, que monitorou os mesmos participantes por 47 anos. Ao longo de décadas, os cientistas mediram repetidamente o condicionamento físico, a força muscular e a resistência de homens e mulheres que tinham entre 16 e 63 anos no início da pesquisa. Esse método de observação contínua oferece uma clareza sem precedentes sobre as transformações do corpo ao longo do tempo, fugindo das comparações transversais que dominam a maioria dos estudos.

Os resultados são categóricos: a capacidade física começa a diminuir ainda na fase adulta jovem, por volta dos 35 anos. A partir dessa idade, a redução progride de forma gradual, tornando-se mais acentuada com o avanço da idade. Essa perda de desempenho foi observada de maneira consistente em todas as métricas analisadas, desde a força muscular até a resistência geral, indicando um processo abrangente que impacta o corpo por completo.

O diferencial crucial deste trabalho reside na sua abordagem. Enquanto a maioria das pesquisas anteriores comparava diferentes faixas etárias em um único momento, o estudo do Instituto Karolinska rastreou as mesmas pessoas por quase meio século. Isso permitiu aos cientistas mapear as mudanças individuais com uma precisão muito maior, revelando padrões de declínio que antes eram mais difíceis de identificar.

Apesar da inevitável queda natural da capacidade física, a pesquisa traz uma mensagem de esperança e empoderamento. Indivíduos que começaram a se exercitar na vida adulta conseguiram melhorar sua capacidade física entre 5% e 10%. Este dado sublinha que, mesmo com o processo de envelhecimento em curso, a atividade física regular mantém seu poder transformador, contribuindo significativamente para retardar a perda de desempenho.

“Nunca é tarde demais para começar a se movimentar. Nosso estudo mostra que a atividade física pode retardar o declínio do desempenho, mesmo que não consiga impedi-lo completamente”, afirma Maria Westerståhl, professora do departamento de Medicina Laboratorial do Instituto Karolinska e principal autora do estudo, em um comunicado oficial. Suas palavras ressoam como um incentivo para a adoção de hábitos saudáveis em qualquer fase da vida.

Com o intuito de aprofundar ainda mais essas descobertas, os pesquisadores planejam continuar o acompanhamento do grupo, com uma nova reavaliação prevista para quando os participantes completarem 68 anos. A expectativa é investigar como fatores como estilo de vida e condições de saúde influenciam de forma contínua essas mudanças no desempenho físico ao longo de toda a existência humana.

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