VIRADA HISTÓRICA

Húngaros rechaçam Orbán; UE celebra volta à democracia

Multidão de húngaros celebrando nas ruas após resultados eleitorais, com bandeiras da Hungria e da União Europeia.
Eleitores húngaros celebram os resultados que definem um novo rumo político para a nação e a Europa.

A decisão nas urnas neste domingo, 12, encerra 16 anos de autocratização e atritos, prometendo novo futuro para a nação.

Neste domingo, 12, o povo húngaro, nas urnas, decidiu pela derrota de Viktor Orbán, marcando o fim de 16 anos de seu governo. A decisão veio em meio a crescentes tensões com a União Europeia e sérias preocupações com a autocratização do país, que resultou em um Judiciário fragilizado e uma mídia sob controle de aliados. Essa virada histórica sinaliza um possível retorno aos valores democráticos europeus e o fim de uma era de atritos que isolavam a Hungria no cenário internacional, reacendendo a esperança na restauração das liberdades e da dignidade de seus cidadãos.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, celebrou a notícia de Budapeste. “A Hungria escolheu a Europa. A Europa sempre escolheu a Hungria”, declarou a líder alemã. Ela enfatizou que, com a Hungria retomando seu caminho europeu, a união se fortalece, e que o “coração da Europa bate mais forte na Hungria esta noite.”

As políticas antidemocráticas de Orbán causaram repetidas dores de cabeça à UE, e a crise se intensificou notavelmente após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Graças ao mecanismo de unanimidade exigido para certas decisões do bloco, Budapeste, sob a liderança de Orbán, ganhou uma influência desproporcional, sendo frequentemente a única voz contrária a medidas mais rígidas contra Moscou.

Líderes europeus e mundiais reagiram com otimismo à vitória de Péter Magyar, o vencedor do pleito. O presidente da França, Emmanuel Macron, conversou com Magyar e, em nota, afirmou a satisfação da França com a vitória, que “mostra a forte ligação do povo húngaro aos valores da União Europeia”.

O premiê da Alemanha, Friedrich Merz, também ligou para Magyar, expressando a expectativa de uma cooperação robusta “a fim de garantir uma Europa forte, segura e unida”. “O povo húngaro decidiu. Parabéns por seu sucesso, caro Péter”, escreveu o líder alemão em uma rede social.

Na Espanha, o primeiro-ministro esquerdista Pedro Sánchez felicitou os húngaros, afirmando: “Hoje vencem a Europa e os valores europeus. Felicidades a todos os cidadãos húngaros por eleições históricas. Vamos trabalhar juntos, Péter Magyar, para um futuro melhor para todos os europeus”.

O premiê do Reino Unido, Keir Starmer, classificou a vitória de Magyar como um “momento histórico não apenas para a Hungria, mas para a democracia europeia”, manifestando o desejo de “trabalhar juntos”.

Do outro lado do Atlântico, Hakeem Jeffries, líder do Partido Democrata na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, disse que “o autocrata de extrema direita Viktor Orbán perdeu a eleição”. Ele fez uma projeção: “Os próximos serão os puxa-saco de Trump e extremistas Maga em novembro. O inverno está chegando”, em alusão às próximas eleições de meio de mandato nos EUA.

É relevante notar que o governo do ex-presidente Donald Trump chegou a interferir na campanha eleitoral da Hungria, tentando favorecer Orbán. Trump havia prometido investimentos na economia húngara caso seu aliado permanecesse no poder e enviou seu vice, J. D. Vance, a Budapeste para elogiá-lo publicamente.

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