HISTÓRIA NO MAR

Expedição captura imagens inéditas do navio Quest de Sir Ernest Shackleton

Estrutura do navio Quest de Sir Ernest Shackleton fotografada no leito marinho.
Submersível Alvin realiza mapeamento dos destroços do Quest no Mar do Labrador.

Equipe internacional utiliza o submersível Alvin para documentar os destroços do navio de Sir Ernest Shackleton, naufragado desde 1962.

Uma expedição liderada pela Sociedade Geográfica Real Canadense, em parceria com a Instituição Oceanográfica Woods Hole, obteve as primeiras imagens detalhadas dos destroços do Quest, o último navio do explorador antártico Sir Ernest Shackleton, nesta segunda-feira, 13/07/2026. A missão, que resgata a memória de um capítulo fundamental da Era Heroica da exploração polar, foi viabilizada pelo submersível tripulado Alvin — notável por ter sido o primeiro a visitar o Titanic há quatro décadas — e um ROV avançado.

Os registros visuais revelam que partes significativas da estrutura, como a proa e o convés, permanecem preservadas sob as águas do Mar do Labrador, embora o mastro principal esteja caído. A presença de corais rosados e diversas espécies marinhas, como bacalhau e peixe-lobo, confere ao local um novo significado ecológico, transformando o que antes era um cenário de tragédia em um santuário de biodiversidade marinha.

John Geiger, CEO da RCGS e líder da expedição, descreveu o momento do encontro com os destroços como uma conexão profunda com o passado. "Ver o navio de Shackleton e pensar que ele esteve naquele convés há um século é incrível", afirmou. A descoberta inicial, realizada em 2024 via sonar, evoluiu agora para um mapeamento minucioso que utiliza tecnologia de fotogrametria subaquática Voyis, garantindo a preservação digital permanente do local para futuras gerações.

O Quest, que sucumbiu ao gelo do Mar do Labrador em 5 de maio de 1962 após anos de serviço na caça de focas, encerrou a trajetória de Sir Ernest Shackleton, ícone da resistência humana. A equipe internacional de especialistas, que inclui arqueólogos e historiadores, planeja agora seguir para a Groenlândia para investigar os vestígios do "Terra Nova", navio de Robert Falcon Scott, reforçando o compromisso da Sociedade Geográfica Real Canadense com o resgate da história marítima global.

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