ONDA CONSERVADORA
Colômbia adota ultradireita e Lula se vê isolado na América do Sul
Vitória de ultradireita na Colômbia reforça bloco conservador e amplia o isolamento do Brasil de Lula na América do Sul, contrastando com cenário de 2022.
A Colômbia confirmou a ascensão da ultradireita na América do Sul, um movimento que solidifica um bloco conservador na região e expõe o isolamento de Lula (PT) no Brasil. Quatro meses antes das eleições brasileiras, o cenário político sul-americano se reconfigurou drasticamente em comparação com 2022, quando a eleição do petista parecia sinalizar uma nova onda progressista.
Naquele ano, uma coalizão de governos de esquerda liderada pelo Brasil incluía Argentina, Bolívia, Chile, Guiana, Peru e Venezuela, evocando a "onda rosa" dos anos 2000. Hoje, o mapa político se inverteu: Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Paraguai, Chile e Argentina são agora comandados por forças de direita e ultradireita.
O Equador, sob Daniel Noboa, a Argentina de Javier Milei e o Chile de José Antonio Kast já representavam essa virada. A Colômbia se juntará a este grupo em julho, com a posse do presidente eleito Abelardo de la Espriella. No Peru, a contagem de votos indicava a possível confirmação da populista de direita Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, na Presidência.
Diante desse quadro, o Brasil de Lula encontra apoio limitado na região. Uruguai, sob a liderança de Yamandú Orsi desde 2025, e a Venezuela – cuja influência internacional é restrita e sob tutela dos Estados Unidos após intervenção liderada por Washington para capturar Nicolás Maduro – são os principais aliados remanescentes.
A vitória na Colômbia foi recebida com entusiasmo pela direita sul-americana. Javier Milei celebrou no X: "O leão e o tigre rugem na América Latina! A liberdade está avançando por toda a América Latina e não há volta." Daniel Noboa ecoou o sentimento: "Hoje, a Colômbia escolheu a ordem em vez da impunidade. Nossa região merece segurança, progresso e governos que enfrentem o crime sem desculpas." Keiko Fujimori e José Antonio Kast também manifestaram otimismo com os "novos ventos" conservadores.
No Brasil, Flávio Bolsonaro (PL), potencial adversário de Lula, reagiu em vídeo: "As agendas de direita continuam triunfando em toda a América. Sua vitória é a vitória do bem sobre o mal." O senador, que manteve contato com Espriella durante a campanha colombiana, busca capitalizar a onda conservadora, apesar de enfrentar desafios internos e tentar moderar seu discurso.
A Casa Branca, sob Donald Trump, viu a eleição na Colômbia como um reforço em sua zona de influência. Trump reivindicou crédito pela vitória, afirmando ter impulsionado Espriella de décimo para primeiro lugar, embora o apoio tenha ocorrido após o primeiro turno. A relação entre Estados Unidos e Colômbia, parceira histórica em segurança, deve retornar à normalidade, com potencial para maior intensidade na cooperação.
O contexto anterior indicava tensões, com Trump ameaçando ações contra o ex-presidente colombiano Gustavo Petro. Espriella, por sua vez, declarou prontidão em extraditar Petro caso os EUA solicitassem, demonstrando uma disposição alinhada a interesses norte-americanos.
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