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Brasil e Reino Unido buscam comércio mais livre e mais verde

Brasil e Reino Unido buscam comércio mais livre e mais verde

Ministro Chris Elmore revela prioridades para a nova aliança estratégica, que prevê impactos em empregos e sustentabilidade.

Na segunda-feira, 13 de maio de 2024, o Ministro britânico para a América Latina, Chris Elmore, reafirmou à CNN Brasil que a recém-formalizada parceria estratégica entre o Reino Unido e o Brasil concentrará esforços na redução de barreiras comerciais. A decisão visa impulsionar o comércio bilateral e os investimentos, prometendo um impacto direto na criação de empregos e na aceleração da transição verde em ambos os países, independentemente do progresso nas negociações de um acordo de livre comércio com o Mercosul, que ainda se mostra distante.

Elmore enfatizou que a parceria não substitui a busca por um acordo de livre comércio mais amplo, mas complementa o trabalho contínuo para facilitar o fluxo comercial. "O ponto crucial é que, independentemente de como esse trabalho se desenvolva, ainda estamos empenhados em reduzir barreiras comerciais e garantir o compartilhamento de metas em ciência e tecnologia", afirmou o ministro.

Recentemente, há menos de um mês, Brasil e Reino Unido elevaram sua relação bilateral para uma parceria estratégica, buscando metas mais ambiciosas e de longo prazo. Os britânicos figuram entre os principais investidores estrangeiros no Brasil, com um estoque de investimentos de US$ 35,8 bilhões em 2024, enquanto os investimentos diretos brasileiros no Reino Unido alcançaram US$ 6,9 bilhões no mesmo ano.

A aliança está sendo estruturada para o período entre 2026 e 2030, fundamentada em cinco pilares estratégicos:

  • Diálogo Político e Cooperação Internacional;
  • Comércio e Investimento;
  • Segurança e Defesa;
  • Transição Justa e Desenvolvimento Sustentável;
  • Conexões Interpessoais.

Para o cidadão comum, o impacto da parceria será sentido, fundamentalmente, na geração de empregos. Conforme as políticas de comércio, investimento, ciência, clima, defesa e relações interpessoais se desenvolvam, a expectativa é que até 2030, ou antes, as pessoas experimentem bons empregos, uma transição verde eficaz e maior sustentabilidade entre os dois países. Essa nova relação representa um avanço significativo, transformando uma interação bilateral reativa em uma parceria proativa e com foco claro no futuro.

Ao abordar a exploração de minerais críticos, Elmore destacou a importância da parceria para apoiar a transição verde no Brasil. Ele mencionou a colaboração com cientistas da Universidade de Manchester em técnicas de extração, sempre com um compromisso com a sustentabilidade ambiental. A meta é garantir que a extração beneficie tanto o povo brasileiro quanto o britânico, de forma ecologicamente correta.

Sobre o pós-Brexit e a possibilidade de um acordo de livre comércio com o Mercosul, o ministro reiterou que "tudo permanece sobre a mesa". Contudo, ressaltou que o trabalho constante de redução de barreiras comerciais entre o Departamento de Negócios e Comércio do Reino Unido, o Ministério das Relações Exteriores e os ministérios brasileiros já está em andamento. O objetivo principal é diminuir a burocracia para as empresas, garantindo um fluxo comercial mais livre e expandindo as oportunidades de negócios em ambos os sentidos. A relação bilateral, que se estende por 200 anos, com empresas britânicas atuando no Brasil há mais de um século, fundamenta essa busca contínua por um ambiente de negócios mais eficiente.

Elmore identificou desafios nas certificações compartilhadas entre mercadorias, mas enfatizou que vê mais oportunidades do que barreiras, especialmente nos setores de serviços financeiros, ciência e tecnologia, e investimentos no setor aeroespacial. A uniformidade nos padrões e verificações para mercadorias em trânsito é uma área prioritária para melhorias, prometendo trazer mais eficiência e melhores condições comerciais.

A parceria também reforça o apoio do Reino Unido à candidatura do Brasil a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. O governo britânico, conforme Elmore, "apoia a reforma do Conselho de Segurança da ONU" e buscará usar sua influência diplomática para advogar pela mudança. Acredita-se que o Brasil, ao lado de outros países como Japão, Alemanha e um representante africano, traria maior representatividade e eficiência à organização, inserindo-se na agenda mais ampla de reforma da ONU para os próximos 80 anos.

Em um cenário global de reconfigurações, a parceria Brasil-Reino Unido é vista como estratégica. Elmore concluiu que a relação, agora proativa e focada em cinco pilares, é crucial para o crescimento econômico, a resiliência climática e a transição verde de ambos os países.

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