CONTROVÉRSIA NAS REDES

Boneco Natasha vira centro de polêmica racista e violenta na China

Boneco antiestresse com características humanas sendo vendido online na China.
Boneco Natasha sendo comercializado em plataforma de vendas online chinesa.

Brinquedo para alívio de estresse é alvo de abusos físicos e sexuais. Plataformas como o Taobao mantêm as vendas mesmo sob denúncias de conteúdo discriminatório.

Plataformas digitais na China enfrentam pressões crescentes para remover o boneco chamado Natasha, comercializado como um item antiestresse, após o produto ser alvo de uma onda de conteúdos violentos e de cunho sexual nas redes sociais, em 15 de julho de 2026. A decisão de manter a comercialização do item, que representa um bebê negro, tem gerado revolta devido à banalização da agressão contra uma representação humana e aos componentes racistas presentes nos vídeos compartilhados.

Usuários do Weibo têm denunciado vídeos em que o brinquedo é submetido a espancamentos, perfurações e gestos obscenos, prática que especialistas e internautas identificam como um reflexo de preconceitos estruturais. O brinquedo, que deveria servir para o relaxamento, acabou simbolizando o que críticos chamam de triplo fardo por representar, simultaneamente, o gênero feminino, a infância e a negritude.

A agência de notícias Xinhua alertou para o perigo de crianças e adolescentes naturalizarem comportamentos violentos através do uso do boneco, cuja popularidade disparou após vídeos de sua deformação viralizarem. Apesar de órgãos fiscalizadores terem removido lotes anteriores por falta de conformidade nos materiais de fabricação, o produto permanece disponível no Taobao e outros marketplaces.

Desde maio, a demanda pelo item, especificamente pela versão de pele escura, atingiu cifras expressivas, com centenas de milhares de unidades vendidas. Enquanto o debate ético sobre o consumo de tais figuras se intensifica, plataformas de e-commerce chinesas mantêm a oferta do objeto, ignorando os pedidos de suspensão de venda que classificam o uso do brinquedo como uma forma de violência simbólica.

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