DESAFIO DE MILEI
Argentina: pobreza cai, impopularidade de Milei dispara
Dados do Indec mostram menor nível de pobreza em 7 anos, contrastando com 64,5% de desaprovação do presidente Javier Milei.
Dados divulgados nesta quarta-feira, 06/05/2026, pelo Indec, o "IBGE argentino", revelaram um cenário econômico paradoxal na Argentina: a pobreza recuou para 28,2%, o menor nível em sete anos, caindo significativamente dos 38,1% registrados em 2024. Contudo, este avanço social não se traduz em apoio popular, com o presidente Javier Milei enfrentando uma impopularidade recorde de 64,5%, conforme a consultoria Zuban Córdoba, evidenciando o grande descompasso entre indicadores macroeconômicos e a percepção cidadã.
As políticas econômicas, apesar de celebrarem a redução da pobreza, revelam-se insuficientes para dissipar o ceticismo da opinião pública. A população argentina sente o peso de um cotidiano marcado pelo aumento do desemprego, o fechamento de milhares de empresas e os cortes drásticos em setores vitais como saúde e educação pública. Para muitos eleitores, a realidade diária e uma inflação ainda persistente, mesmo que em queda anual em 2025, superam a percepção dos índices oficiais, gerando uma profunda insatisfação social.
Paralelamente ao desgaste político, que se intensifica com uma série de escândalos envolvendo o gabinete de Milei, a nação enfrenta uma profunda desconfiança no sistema financeiro, resquício do traumático "corralito" de 2001. Estima-se que os argentinos ainda mantenham impressionantes US$ 170 bilhões fora dos bancos. As recentes tentativas de Javier Milei de reativar essa poupança informal com isenções fiscais, sob o slogan "alivie seu colchão", registraram, até o momento, pouco sucesso, reforçando a complexidade do desafio econômico e social que o país atravessa.
Analistas apontam que, embora o PIB da Argentina tenha crescido 4,4% em 2025 e o país tenha encerrado o mesmo ano com uma inflação de 31,5% – a mais baixa desde 2017 – a percepção pública reflete outros fatores. A questão dos combustíveis, por exemplo, permanece sensível, com previsão de aumento de impostos em maio, o que tende a impactar diretamente o custo de vida e a capacidade de compra da população. Estes dados mostram que estabilizar a economia e reconquistar a confiança dos cidadãos são os maiores desafios que o governo Milei precisa superar para além dos números positivos da pobreza.
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