JUSTIÇA CONTESTADA

Magistrados israelenses mantêm prisão de ativistas pró-Gaza

Barcos da flotilha Global Sumud em águas internacionais, com bandeiras e ativistas a bordo.
Ativistas da flotilha humanitária foram detidos pelas autoridades israelenses em águas internacionais.

Detenção do brasileiro Thiago Avila e do espanhol Saif Abu Keshek prorrogada até 05 de maio de 2026 por Tribunal de Israel. Acusados de auxílio a inimigo, eles negam as suspeitas e missão humanitária é alvo de críticas.

Um Tribunal de Israel decidiu, neste domingo, 03 de maio de 2026, estender por dois dias a prisão preventiva de um ativista brasileiro e um espanhol, detidos em uma flotilha com destino à Faixa de Gaza. A medida, que prolonga a detenção até 05 de maio, ocorre sob suspeita de crimes graves como auxílio ao inimigo e contato com agente estrangeiro, levantando preocupações sobre a liberdade de expressão e o direito à assistência humanitária na região.

O brasileiro Thiago Avila e o cidadão espanhol Saif Abu Keshek foram detidos pelas autoridades israelenses na noite de quarta-feira, 29 de abril de 2026, e levados para Israel. Mais de 100 outros ativistas pró-Palestina, que estavam a bordo das embarcações interceptadas em águas internacionais perto da Grécia, foram posteriormente encaminhados para a ilha grega de Creta.

Os governos da Espanha e do Brasil emitiram uma declaração conjunta na sexta-feira, 01 de maio de 2026, classificando a detenção dos ativistas como ilegal.

Os ativistas faziam parte da segunda flotilha Global Sumud, que partiu de Barcelona em 12 de abril de 2026, em uma tentativa de romper o bloqueio israelense a Gaza e entregar ajuda humanitária à população civil.

As autoridades israelenses haviam solicitado uma prorrogação de quatro dias da prisão preventiva. As suspeitas incluem auxílio ao inimigo em tempo de guerra, contato com um agente estrangeiro, participação e prestação de serviços a uma organização terrorista, e transferência de bens para uma organização terrorista, conforme informado pelo grupo de direitos humanos Adalah, que presta auxílio legal aos ativistas.

Hadeel Abu Salih, advogada dos dois ativistas, afirmou que seus clientes negam veementemente as acusações. Em declaração à Reuters no Tribunal de Magistrados de Ashkelon após a audiência, ela sustentou que a prisão é ilegal por falta de jurisdição e que a missão da flotilha visava exclusivamente prestar auxílio a civis em Gaza, e não a qualquer grupo específico.

A advogada também relatou que Abu Keshek e Avila foram submetidos a violência durante o transporte para Israel e permaneceram algemados e vendados até a manhã de quinta-feira, 30 de abril de 2026.

O Exército israelense não se manifestou imediatamente sobre os relatos de violência. Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores de Israel havia classificado os organizadores da flotilha como "provocadores profissionais" na quinta-feira, 30 de abril de 2026, reiterando que "Israel não permitirá a violação do bloqueio naval legal a Gaza".

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