GUERRA SEM FIM

Israel mata chefe militar do Hamas em Gaza

Retrato de Izz al-Din al-Haddad, líder militar do Hamas, em imagem de arquivo.
Izz al-Din al-Haddad, apontado como chefe militar do Hamas. Foto: Reprodução/ECFR.

Izz al-Din al-Haddad, principal líder desde o cessar-fogo de outubro, é morto em ataque aéreo. Esposa e filha também faleceram.

As Forças Armadas de Israel confirmaram neste sábado, 16 de maio de 2026, a eliminação de Izz al-Din al-Haddad, chefe da ala militar do grupo Hamas, em um ataque aéreo direcionado na Cidade de Gaza ocorrido na sexta-feira anterior. A operação, justificada por Tel Aviv como um golpe contra um dos arquitetos dos ataques de 7 de outubro de 2023, representa a morte do membro de mais alto escalão do grupo desde o cessar-fogo de outubro, intensificando a violência em um território já devastado e lançando sombras sobre as frágeis negociações de paz.

Izz al-Din al-Haddad é o líder do grupo morto por Israel desde o cessar-fogo apoiado pelos Estados Unidos em outubro de 2025. Israel descreveu o ataque como "preciso". O Hamas, em comunicado posterior, confirmou que Haddad, nascido em 1970, morreu ao lado de sua esposa e filha de 19 anos, descrevendo-o como uma figura central no comando das operações militares.

A dor da perda ecoou na Mesquita dos Mártires de Al Aqsa, no centro de Gaza, onde o funeral conjunto de Izz al-Din al-Haddad, sua esposa e filha foi realizado neste sábado, 16 de maio de 2026, em meio a uma comunidade que chora mais vítimas da escalada do conflito.

Na sexta-feira, 15 de maio de 2026, Israel realizou pelo menos dois ataques contra Gaza, tirando a vida de sete palestinos, incluindo três mulheres e uma criança, conforme relatos de médicos locais. Uma fonte palestina informou que Haddad morreu em um bombardeio israelense contra um edifício residencial, sublinhando o risco constante que civis enfrentam na região.

Neste sábado, os bombardeios não cessaram. Dois ataques aéreos israelenses distintos mataram ao menos três pessoas, segundo autoridades de saúde. Dois homens morreram após um bombardeio atingir um veículo perto do Hospital Al Shifa, na Cidade de Gaza. Outra pessoa perdeu a vida em um ataque no campo de refugiados de Jabalia, no norte do território. O Exército israelense não se manifestou sobre estes incidentes até o momento.

Desde o cessar-fogo de outubro, cerca de 850 palestinos perderam a vida em ataques israelenses, um número que não distingue entre combatentes e civis, refletindo a dimensão da tragédia humanitária. No mesmo período, quatro soldados israelenses foram mortos por militantes, enquanto o Hamas mantém silêncio sobre as baixas entre seus combatentes.

Em comunicado conjunto divulgado na sexta-feira, 15 de maio de 2026, com o ministro da Defesa, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que Izz al-Din al-Haddad foi um dos arquitetos dos ataques de 7 de outubro de 2023, que desencadearam a ofensiva israelense em Gaza, acentuando a gravidade da perda para o grupo militante.

Haddad, que ascendeu à liderança militar do Hamas em Gaza após Israel ter matado Mohammad Sinwar em maio de 2025, "foi responsável pelo assassinato, sequestro e danos causados a milhares de civis e soldados israelenses", declararam as autoridades israelenses.

Apelidado de "Fantasma" por sua capacidade de iludir as forças inimigas, Izz al-Din al-Haddad havia sobrevivido a várias tentativas de assassinato por parte de Israel, conforme fontes do Hamas disseram à Reuters, evidenciando sua importância estratégica e o desafio que representava.

O Exército israelense o descreve como um dos comandantes mais antigos do Hamas, tendo ascendido na hierarquia desde a criação do grupo, nos anos 1980, até ocupar diversos cargos de liderança, consolidando sua influência e experiência operacional.

Israel e Hamas persistem em um impasse nas negociações indiretas para avançar no plano pós-guerra para Gaza proposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que almeja encerrar mais de dois anos de conflito, tornando a morte de Haddad um fator complicador neste delicado cenário.

Nas semanas seguintes à interrupção dos bombardeios conjuntos com os EUA contra o Irã, Israel intensificou os ataques em Gaza, redirecionando o foco militar para o devastado território palestino, onde, segundo os militares israelenses, combatentes do Hamas estão reforçando seu controle, perpetuando o ciclo de violência e destruição.

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