IMPASSE DIPLOMÁTICO
EUA respondem ao Irã, mas Trump rejeita proposta de paz
Teerã analisa 14 pontos; Estreito de Ormuz segue bloqueado impactando preços do petróleo.
O Irã anunciou nesta domingo, 03 de maio de 2026, ter recebido a resposta dos Estados Unidos à sua mais recente proposta de paz, um movimento crucial em meio às tensões diplomáticas. Embora a nação iraniana esteja analisando o conteúdo, o presidente dos EUA, Donald Trump, já indicou no sábado, 2 de maio de 2026, que provavelmente rejeitará a iniciativa. Essa postura dos EUA ameaça prolongar o impasse na região e adia as esperanças de alívio para a população global impactada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz e pelos conflitos no Oriente Médio.
A mídia estatal iraniana detalhou que Washington encaminhou sua resposta à proposta de 14 pontos de Teerã através do Paquistão. Até o momento, não houve confirmação oficial por parte dos EUA ou de Islamabad sobre o recebimento ou o teor da comunicação, mantendo o cenário de incerteza.
"Neste estágio, não temos negociações nucleares", declarou Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, conforme noticiado pela mídia estatal. Essa afirmação reitera a estratégia iraniana de priorizar o fim da guerra e a suspensão dos bloqueios ao transporte marítimo no Golfo de Omã, postergando as discussões sobre o programa nuclear.
Apesar da análise iraniana, Donald Trump expressou ceticismo. No sábado, 2 de maio de 2026, mesmo sem ter examinado o texto completo, o presidente dos EUA afirmou que dificilmente aceitaria a proposta. "Em breve estarei analisando o plano que o Irã acaba de nos enviar, mas não consigo imaginar que seja aceitável, já que eles ainda não pagaram um preço suficientemente alto pelo que fizeram à Humanidade e ao mundo nos últimos 47 anos", escreveu em suas redes sociais, demonstrando a rigidez de sua posição.
Estados Unidos e Israel suspenderam a campanha de bombardeios contra o Irã há quatro semanas, e autoridades dos dois países realizaram uma rodada de negociações. No entanto, as tentativas de organizar novos encontros fracassaram até agora. A persistência do bloqueio do Estreito de Ormuz continua a impactar o fluxo de 20% do fornecimento mundial de petróleo e gás, elevando os preços da gasolina nos EUA e gerando pressão política sobre o Partido Republicano antes das eleições legislativas de meio de mandato, em novembro.
A proposta iraniana, apresentada na quinta-feira, busca encerrar a guerra e resolver o impasse marítimo antes de abordar a questão nuclear, o que contraria a exigência de Washington por restrições rigorosas ao programa de Teerã antes do fim do conflito. Os EUA insistem que o Irã desista de seu estoque de mais de 400 kg de urânio altamente enriquecido, material que, segundo os americanos, poderia ser usado para fabricar uma bomba. O Irã, por sua vez, defende o caráter pacífico de seu programa, mas se mostra aberto a discutir limitações em troca do levantamento de sanções, conforme o acordo de 2015, abandonado por Trump.
Os 14 pontos da proposta iraniana incluem a retirada de forças americanas de áreas próximas, o fim do bloqueio marítimo, a liberação de ativos congelados, o pagamento de compensações, a suspensão de sanções, o fim da guerra em todas as frentes (incluindo o Líbano) e a criação de um novo mecanismo de controle para o Estreito de Ormuz. Um alto funcionário iraniano, que preferiu o anonimato à Reuters, avaliou que adiar as negociações nucleares é uma mudança significativa para facilitar um acordo, criando um ambiente mais favorável.
Paralelamente, o cenário regional se agravou neste domingo, 03 de maio de 2026, quando Israel ordenou a evacuação de milhares de libaneses de vilarejos no sul do Líbano. Essa escalada no conflito com o Hezbollah, aliado do Irã, pode complicar ainda mais os esforços de paz. O Irã condiciona a retomada das negociações com Washington a um cessar-fogo também no Líbano, invadido por Israel em março em resposta a ataques do grupo.
Embora Líbano e Israel tenham concordado com uma trégua separada no mês passado, os combates persistem. O Exército israelense alertou urgentemente os moradores de 11 cidades e vilarejos do sul do Líbano para evacuarem, deslocando-se pelo menos 1.000 metros para áreas abertas. Os militares afirmam realizar operações contra o Hezbollah por violação do cessar-fogo, alertando para o risco de quem estiver próximo a combatentes ou instalações do grupo.
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