TRÉGUA FRÁGIL
EUA e Irã anunciam cessar-fogo, mas ataques persistem
Acordo de duas semanas não impede a violência imediata na região. Três garotos sofrem ferimentos em Israel; ambulância atingida no Líbano.
Os Estados Unidos e o Irã anunciaram um cessar-fogo de duas semanas no Oriente Médio, um esforço crucial para aplacar as tensões na região e proteger vidas. No entanto, o alívio esperado não se concretizou de imediato, e ataques armados persistiram na madrugada de 7 de abril de 2026, com países do Golfo reportando a interceptação de mísseis iranianos. A falta de um horário específico para a suspensão das hostilidades no acordo original prolongou a incerteza e o perigo, impactando diretamente a segurança de civis e a estabilidade regional.
Em Israel, a fragilidade do acordo ficou evidente quando três garotos sofreram ferimentos leves após uma munição de fragmentação iraniana atingir a cidade de Tel Sheva, no sul do país. Enquanto isso, Israel continuou seus próprios ataques aéreos contra o Irã, conforme confirmado por um porta-voz militar à CNN internacional. O Líbano também segue como palco de bombardeios israelenses, com um ataque aéreo atingindo uma ambulância na cidade de Qlaileh, próxima à costa de Tiro, sublinhando o custo humano da persistência do conflito.
Horas após os incidentes, Israel emitiu um comunicado concordando em cessar os ataques. Contudo, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu fez uma ressalva importante: o acordo de trégua não abrange o Líbano. “Israel apoia a decisão do presidente Trump de suspender os ataques contra o Irã por duas semanas, condicionada à abertura imediata do Estreito de Ormuz pelo Irã e à cessação de todos os ataques contra os EUA, Israel e países da região”, declarou Netanyahu, adicionando categoricamente: “O cessar-fogo de duas semanas não inclui o Líbano.”
Esta posição diverge da declaração anterior do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, que havia afirmado que o acordo entre Estados Unidos e Irã, com seus aliados, previa um cessar-fogo imediato que se estenderia, inclusive, ao Líbano, gerando um impasse diplomático significativo sobre a abrangência da paz.
Esperança em meio à tensão: O mundo celebra o acordo
Apesar das ambiguidades e da continuidade dos conflitos pontuais, a notícia do cessar-fogo foi recebida com um misto de alívio e esperança globalmente. O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou seu apoio à trégua de duas semanas. “O secretário-geral saúda o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas pelos Estados Unidos e pelo Irã”, confirmou seu porta-voz, Stéphane Dujarric, em comunicado, reforçando o anseio internacional pela desescalada.
O impacto positivo se estendeu aos mercados, onde os preços do petróleo registraram uma queda acentuada de quase 15% após o anúncio, chegando a ser comercializado a US$ 93 – o menor valor em um mês. Esta reação econômica demonstra a sensibilidade do mercado às flutuações geopolíticas e o desejo por estabilidade na crucial região produtora de energia.
Na madrugada de 8 de abril de 2026, Donald Trump, ex-presidente dos EUA, utilizou suas redes sociais para celebrar o acordo, chamando-o de “grande dia para a paz mundial”. Ele expressou a disposição dos Estados Unidos em auxiliar o Irã no aumento do tráfego no Estreito de Ormuz após o cessar-fogo e se comprometeu a “ficar por perto” para garantir a sua efetivação. “O Irã quer que isso aconteça, eles já não aguentam mais! Da mesma forma, todos os outros também! Haverá muitas ações positivas! Muito dinheiro será ganho”, escreveu, ressaltando os potenciais benefícios econômicos e a urgência da paz.
Termos do acordo: Exigências e concessões
O Irã afirmou ter estabelecido dez condições para aceitar o cessar-fogo, as quais teriam sido acatadas pelos Estados Unidos. Em contrapartida, Washington exigiu a reabertura imediata do estratégico Estreito de Ormuz, uma via marítima vital para o comércio global de petróleo.
As 10 exigências do Irã para o cessar-fogo:
- Garantia de que não haverá novos ataques contra o Irã;
- Manutenção do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz;
- Reconhecimento do direito ao enriquecimento de urânio;
- Suspensão de todas as sanções, incluindo primárias e secundárias;
- Encerramento de resoluções do Conselho de Segurança da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA);
- Pagamento de compensações ao Irã;
- Retirada das forças de combate dos Estados Unidos da região;
- Fim das ações militares em outras frentes, incluindo contra grupos aliados do Irã no Líbano;
- Liberação de ativos iranianos bloqueados no exterior;
- Aprovação de todos os pontos em uma resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU.
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