MERCADO

Crise no oriente médio eleva preço do petróleo

Vista aérea do Estreito de Ormuz e costa iraniana
Vista aérea da costa iraniana e da ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz, ponto crucial para o transporte global de petróleo.

Barril do WTI chega a US$ 99,46 e Brent a US$ 98,57. Frágil acordo entre EUA e Irã não se sustenta.

Na quinta-feira, dia 9, o mercado global de petróleo registrou um aumento acentuado nos preços, impulsionado pela escalada das tensões no Oriente Médio. A intensificação dos conflitos, apesar de um cessar-fogo frágil em vigor entre EUA e Irã, gerou imediata apreensão sobre a estabilidade da oferta mundial de energia, o que afeta diretamente o custo de vida e a economia de milhões de pessoas em todo o mundo.

Os reflexos foram imediatos: o barril do West Texas Intermediate (WTI), principal referência nos Estados Unidos, avançou 5%, atingindo US$ 99,13 nas primeiras horas de negociação e chegando a US$ 99,46 por volta das 8h16. Já o Brent, que serve como referência internacional, subiu 3,82%, sendo cotado a US$ 98,57. Essa elevação mostra o nervosismo do mercado diante da situação geopolítica.

O acordo de cessar-fogo, que previa uma pausa de duas semanas nos ataques e a reabertura estratégica do Estreito de Ormuz – um corredor marítimo crucial por onde circula grande parte do petróleo mundial –, demonstrou sua fragilidade rapidamente. A passagem, que ficou liberada por poucas horas, voltou a operar com restrições.

Além disso, novos ataques foram registrados, intensificando o clima de incerteza. Israel bombardeou alvos do Hezbollah no Líbano, um grupo apoiado pelo Irã. Paralelamente, países do Golfo, como Arábia Saudita e Kuwait, relataram ataques com mísseis e drones. Esse cenário de hostilidade alimenta o temor de que a produção e o transporte de petróleo sejam gravemente afetados, levando a um aumento ainda maior nos preços.

A instabilidade na região, vital para a produção energética global, traduz-se em incerteza econômica para famílias e empresas, que podem ver os preços dos combustíveis e produtos básicos encarecerem. O risco de inflação e a desaceleração econômica tornam-se preocupações globais.

Nas bolsas asiáticas, o clima foi de cautela, com os principais mercados fechando em queda. O índice de Xangai recuou 0,72%, o CSI300 caiu 0,64%, e o Hang Seng, de Hong Kong, teve baixa de 0,54%. Outros mercados, como o Nikkei no Japão, que caiu 0,73%, e o Kospi na Coreia do Sul, com recuo de 1,61%, também sentiram o impacto, enquanto a bolsa da Austrália registrou uma leve alta de 0,24%.

Analistas do MUFG já haviam alertado para a fragilidade do cessar-fogo, que mostra sinais claros de instabilidade mesmo com pouco tempo de vigência. Agora, além da complexa geopolítica, investidores também aguardam novos dados da economia chinesa, que poderão oferecer pistas sobre o futuro da demanda global por petróleo.

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