ALERTA GLOBAL
"Civilização morrerá": Irã, políticos dos EUA, ONU e Papa reagem a ameaça de Trump
Presidente Trump exige reabertura do Estreito de Ormuz em 7 de maio; ONU e líderes mundiais reagem à retórica inflamada e temem conflito.
Na terça-feira, 7 de abril, em um momento de grave escalada de tensões, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, proferiu uma severa ameaça contra o Irã, advertindo que "uma civilização inteira morrerá nesta noite" caso Teerã não reabrisse o estratégico Estreito de Ormuz até as 21h (horário de Brasília) do mesmo dia. A declaração, parte de uma retórica cada vez mais belicosa, surge em meio a um cenário de conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e o próprio Irã, desencadeado pelo fechamento iraniano da rota em resposta a bombardeios em 28 de fevereiro. A retórica inflamada gerou condenação internacional e temor de um conflito de proporções catastróficas, com a ONU e líderes mundiais expressando profunda preocupação sobre o risco iminente de genocídio e instabilidade global.
A fala de Trump, que ocorreu no contexto de um prazo final imposto por ele para a reabertura do Estreito, foi acompanhada de críticas ao regime iraniano. O presidente americano afirmou não querer que um ataque acontecesse, "mas provavelmente acontecerá", e condenou o governo atual do Irã, no comando há 47 anos.
"Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. Contudo, agora que temos uma mudança de regime completa e total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE? Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!", declarou Trump, expressando sua visão sobre o futuro do país.
O Estreito de Ormuz representa uma das artérias estratégicas mais vitais do planeta, por onde transita aproximadamente 20% de todo o petróleo comercializado mundialmente. O Irã, em resposta a ataques aéreos dos EUA e Israel em seu território em 28 de fevereiro, praticamente fechou a passagem, provocando impactos significativos nos preços globais de petróleo e gás.
ONU Expressa Profunda Preocupação com Ameaças de Trump
O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou na terça-feira, 7 de maio, sua grande preocupação com as declarações do presidente Donald Trump. "O secretário-geral está muito preocupado com as declarações que ouvimos ontem e novamente esta manhã, declarações que sugerem que todo um povo ou toda uma civilização poderiam ser obrigados a suportar as consequências de decisões políticas e militares", afirmou o porta-voz Stéphane Dujarric, em nome de Guterres.
Irã Denuncia Potencial Genocídio e Promete Reação
Amir-Saeid Iravani, representante de Teerã na ONU, classificou as ameaças de Trump como "incitação a crimes de guerra e potencialmente genocídio". Em uma sessão do Conselho de Segurança sobre o Estreito de Ormuz, Iravani instou a comunidade internacional a condenar a retórica do presidente americano.
"O Irã não ficará de braços cruzados diante de crimes de guerra tão graves. Exercerá, sem hesitação, seu direito inerente de autodefesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais", advertiu Iravani, sinalizando a postura de Teerã.
Aliados e Opositores de Trump Condenam a Retórica de Escalada
As palavras de Donald Trump repercutiram amplamente no cenário político dos EUA, gerando críticas de diferentes espectros. O influente podcaster de direita Tucker Carlson criticou a possibilidade de escalada militar, defendendo que autoridades americanas deveriam resistir a ataques em massa contra civis iranianos.
O senador Ron Johnson, do Partido Republicano, sigla de Trump, posicionou-se contra um possível bombardeio de infraestrutura civil iraniana, classificando a ação como "um grande erro". Já o líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, do Partido Democrata, chamou Trump de "uma pessoa extremamente doente" em resposta à ameaça de aniquilação.
Na Câmara, a liderança democrata solicitou o retorno imediato dos parlamentares a Washington para votar o fim da guerra com o Irã. A ex-vice-presidente dos EUA Kamala Harris também se manifestou na terça-feira, 7 de maio, em sua rede social X, classificando as ameaças de Trump como "abomináveis".
"O presidente dos Estados Unidos está ameaçando cometer crimes de guerra e exterminar uma 'civilização inteira' — tudo porque ele mesmo iniciou uma guerra desastrosa e não tinha plano nem estratégia para terminá-la. Isso é abominável, e o povo americano não apoia isso. A imprudência de Trump está colocando desnecessariamente nossos bravos militares em perigo, destruindo a posição dos Estados Unidos no cenário internacional e tornando a vida ainda mais cara para o povo americano. Devemos todos nos opor a isso e nos opor ao financiamento dessa guerra ilegal por escolha própria", escreveu Harris, em tom de veemente condenação.
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