VIOLAÇÃO DO DIREITO HUMANITÁRIO
Ataques de drones russos miram socorristas e profissionais de saúde na Ucrânia
Relatório da MSF denuncia tática de ataques duplos que transforma o resgate em risco letal e aponta desrespeito às Convenções de Genebra.
Forças militares da Rússia têm direcionado drones contra profissionais de saúde e socorristas em operações na Ucrânia, transformando o ato de salvar vidas em uma atividade de alto risco. A denúncia foi oficializada pela organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) nesta segunda-feira, 13/07/2026, por meio do relatório intitulado "No Safe Place to Heal" ("Não Há Lugar Seguro para Se Curar").
O documento detalha a prática de "duplo ataque", em que uma ofensiva inicial atinge alvos civis ou militares para atrair equipes de emergência, seguida por um segundo bombardeio direcionado precisamente a esses socorristas. Essa estratégia obriga médicos a decidirem entre o socorro imediato aos feridos ou a própria sobrevivência diante da iminência de novos disparos.
Um caso emblemático citado ocorreu em 1º de fevereiro de 2026, perto de Ternivka, em Dnipropetrovsk. Um ônibus civil foi alvo de disparos sucessivos, resultando em 12 mortes e uma proporção atípica de feridos em estado grave. Segundo a MSF, a utilização de drones FPV, dotados de visão em primeira pessoa, permite que operadores identifiquem e ataquem alvos com precisão cirúrgica, inclusive veículos claramente sinalizados com cruzes médicas.
Robin Meldrum, coordenador geral da MSF na Ucrânia, afirma que o princípio da neutralidade médica foi praticamente suprimido no conflito. De acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), desde o início da invasão, 233 profissionais e pacientes morreram em ataques a instalações de saúde, enquanto outras 930 pessoas ficaram feridas.
O relatório sublinha que as proteções previstas pelas Convenções de Genebra estão sendo sistematicamente ignoradas. Embora o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos tenha reconhecido em julho de 2025 violações do direito internacional por parte da Rússia, a ausência de um mecanismo de força policial torna difícil a responsabilização imediata de Moscou.
Diante do cenário de violações, a MSF solicita que os Estados-membros da ONU (Organização das Nações Unidas) garantam investigações independentes sobre os ataques e pressionem pelo cumprimento da Resolução 2.286 do Conselho de Segurança, que estabelece diretrizes para a proteção de pacientes e equipes médicas em zonas de guerra.
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