VIOLÊNCIA POLICIAL GRAVE

Tribunal de Justiça Militar condena PMs por tortura após roleta-russa com adolescente em São Paulo

PMs realizam abordagem abusiva contra adolescente registrada por câmeras corporais.
Imagens da Polícia Militar flagraram a prática de roleta-russa contra adolescente durante abordagem em São Paulo - Foto: Reprodução/TV Globo

Agentes foram condenados por tortura, abuso de autoridade e outros crimes após câmeras flagrarem roleta-russa em adolescente; cabe recurso da decisão.

Um sargento da Polícia Militar submeteu um adolescente a uma sessão de tortura psicológica durante uma abordagem realizada na região da Caixa d'Água, em São Paulo, conforme confirmado por uma sentença proferida nesta segunda-feira, 20/07/2026. A decisão do Tribunal de Justiça Militar reconheceu que a prática, conhecida como roleta-russa, foi utilizada deliberadamente para infundir terror na vítima, configurando uma violação brutal da dignidade humana.

As evidências centrais do caso foram obtidas por meio de câmeras corporais que, na época dos fatos, gravavam continuamente. As imagens demonstram o momento em que o sargento Amauri dos Santos introduz uma munição no tambor de um revólver, rotaciona a peça e aciona o gatilho contra a cabeça do jovem. O disparo não ocorreu por sorte, mas o trauma psicológico imposto à vítima, que não possuía meios de defesa, é classificado pelas autoridades como uma forma de tortura.

A gravidade da conduta foi agravada por outros crimes identificados durante a mesma ocorrência. Além da coação, a investigação apontou que agentes invadiram residências sem mandado judicial e fizeram desaparecer uma grande quantidade de Drogas encontrada no local. O sargento Amauri dos Santos foi sentenciado a 12 anos e cinco meses de prisão por tortura, abuso de autoridade, fraude processual e peculato. O cabo Sandro Nascimento também recebeu condenação de quatro anos e dez meses em regime semiaberto pelos crimes de tortura e abuso de autoridade.

A defesa dos envolvidos tentou minimizar os atos, alegando tratar-se de transgressão disciplinar e negando a letalidade do armamento, teses rejeitadas pelo Tribunal de Justiça Militar. O processo segue em curso para outros seis policiais militares, que ainda aguardam julgamento. Especialistas e órgãos de controle reforçam que a existência de registros audiovisuais íntegros foi determinante para que a impunidade não prevalecesse neste caso.

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