PREFERÊNCIA

Brasileiros valorizam CLT por segurança e direitos, aponta CNI

Imagem de pessoas em busca de emprego, simbolizando a preferência pelo emprego formal com carteira assinada.
Profissionais buscam oportunidades de emprego formal, valorizando os direitos e a estabilidade da CLT.

Estudo inédito da CNI entre 10 e 15 de outubro de 2025 destaca que 36,3% buscam a estabilidade do vínculo formal, principalmente jovens.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou na sexta-feira, 10 de outubro de 2025, a 67ª edição da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira, revelando que a vasta maioria dos brasileiros que buscam emprego ainda prioriza vagas formais, com carteira assinada pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O levantamento, conduzido pela Nexus com 2.008 entrevistas em todo o território nacional entre os dias 10 e 15 de outubro de 2025, aponta que essa escolha reflete uma profunda aspiração por dignidade, segurança jurídica, estabilidade e proteção social, aspectos que permanecem centrais para o planejamento de vida e o bem-estar das famílias brasileiras, apesar do surgimento de novas modalidades de trabalho.

Conforme os dados, 36,3% das pessoas empregadas que procuraram uma nova oportunidade no mês anterior à pesquisa identificam o emprego formal como a opção mais atraente. Essa preferência robusta é um indicativo claro de que os direitos trabalhistas e a previsibilidade ainda são pilares fundamentais na percepção de valor do trabalho no país.

Claudia Perdigão, especialista em Políticas e Indústria da CNI, sublinha a relevância desse achado. “O trabalhador brasileiro continua a valorizar imensamente o acesso a direitos trabalhistas garantidos, a estabilidade profissional e a proteção social que a CLT oferece. Isso se mantém forte mesmo diante do crescimento e da visibilidade de novas formas de atuação no mercado”, explica Perdigão, destacando o impacto direto na vida do cidadão.

Embora a busca por segurança prevaleça, outras modalidades de trabalho também aparecem nas escolhas dos brasileiros. O trabalho autônomo figura como a segunda alternativa mais citada, com 18,7% das respostas, seguido pelo emprego informal (12,3%), trabalho via plataformas digitais (10,3%), a iniciativa de abrir o próprio negócio (9,3%) e a contratação como pessoa jurídica (6,6%). No entanto, a força da CLT é inegável frente a essas opções.

A pesquisa também lança luz sobre um desafio persistente: 20% dos entrevistados relataram não ter encontrado oportunidades consideradas atrativas no período, evidenciando uma lacuna entre as expectativas dos trabalhadores e a oferta de vagas de qualidade no mercado.

A atratividade do emprego formal ressoa de maneira ainda mais acentuada entre as gerações mais jovens. Na faixa etária de 25 a 34 anos, 41,4% apontam a carteira assinada como seu principal objetivo. Entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, esse percentual atinge 38,1%. Para Perdigão, essa tendência é compreensível: “O emprego formal proporciona uma base de segurança crucial para quem está no início da carreira, permitindo maior planejamento e solidez para o futuro”.

Plataformas digitais como renda complementar

O estudo da CNI igualmente avaliou a percepção sobre o trabalho em plataformas digitais, como aplicativos de transporte e entrega. Cerca de um em cada dez entrevistados considerou essa modalidade atrativa. Contudo, a pesquisa revela que, para a maioria, essa é uma fonte de renda complementar. Apenas 30% dos interessados enxergam as plataformas como sua principal forma de sustento, reforçando a preferência por vínculos mais estáveis.

Alta satisfação e baixa mobilidade

Apesar da busca por novas oportunidades, o levantamento registra um alto nível de satisfação entre os trabalhadores atualmente empregados. Impressionantes 95% dos entrevistados afirmaram estar satisfeitos com seu emprego atual, com 70% declarando-se “muito satisfeitos”. Esse cenário, paradoxalmente, contribui para explicar a baixa mobilidade no mercado de trabalho. Apenas 20% das pessoas ocupadas procuraram outra vaga nos 30 dias anteriores à coleta de dados da pesquisa.

A movimentação no mercado é mais notável entre os mais jovens: 35% das pessoas de 16 a 24 anos buscaram um novo emprego no período, contrastando fortemente com os 6% observados entre trabalhadores com mais de 60 anos, que tendem a uma menor busca por mudanças. O tempo de permanência na ocupação atual também influencia: entre aqueles com menos de um ano no cargo, 36,7% procuraram outra colocação, enquanto o percentual cai para 9% entre quem está há mais de cinco anos na mesma função.

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