DISPARIDADE SALARIAL PERSISTENTE

Homens utilizam ofertas externas para elevar salários mais do que mulheres

Homem operando maquinário de impressão de jornal em Madri, Espanha.
Um homem trabalha na impressão de jornal em Madri, na Espanha, em 20 de julho de 2026. — Foto: Sergio Leon/Reuters

Pesquisa aponta que negociar com base em propostas externas é estratégia mais comum entre homens, perpetuando o abismo salarial de gênero no mercado de trabalho.

A prática de utilizar propostas de trabalho externas como alavanca para obter aumentos salariais na empresa atual é significativamente mais comum entre homens, um comportamento que se consolida como fator determinante para a desigualdade salarial entre os sexos. A conclusão consta em um estudo inédito da Fundação Rockwool de Berlim, cujos dados foram revelados à Reuters em 20 de julho de 2026.

O levantamento estima que essa estratégia de renegociação individual seja responsável por cerca de metade de toda a diferença salarial observada entre homens e mulheres. Mesmo ocupando cargos idênticos e atuando no mesmo ambiente corporativo, homens recebem, em média, 8% a mais que suas colegas mulheres, evidenciando uma barreira que vai além da qualificação profissional.

A dinâmica identificada pelos pesquisadores mostra que, enquanto homens conseguem converter o interesse de outros empregadores em valorização financeira sem trocar de posto, mulheres tendem a optar pela mudança efetiva de emprego ao receberem novas propostas. A pesquisa, que baseou suas análises no comportamento de trabalhadores que souberam de vagas externas através de conexões familiares, aponta que a mesma probabilidade de troca de empresa não se traduz em ganhos similares para ambos os gêneros.

O cenário traz um alerta sobre a eficácia de medidas regulatórias, como a Diretiva de Transparência Salarial da UE, em vigor desde junho de 2026. Embora a legislação busque equiparar o acesso a informações, o estudo sugere que a transparência por si só pode ser insuficiente para eliminar as disparidades, visto que o entrave também reside na cultura de negociação e no suporte corporativo às trajetórias profissionais das mulheres.

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