ESTRATÉGIA ELEITORAL

PT mira Flávio Bolsonaro em ofensiva de marketing

Mesa de abertura do 8º Congresso do PT com participantes e banners ao fundo
Mesa de abertura do 8° Congresso do PT

Campanha de Lula prepara ataques focados em corrupção e Caso Master para o senador. Peças foram exibidas em congresso em 26 de abril de 2026.

Em uma manobra estratégica que visa moldar o cenário eleitoral, o Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou, durante seu 8º Congresso Nacional em Brasília, uma prévia detalhada da ofensiva política contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão, apresentada pela equipe de marketing da campanha de reeleição do presidente Lula nesta domingo, 26 de abril de 2026, busca associar o parlamentar a casos de corrupção, notadamente o escândalo do Banco Master. Esta articulação visa minar a confiança pública no filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e influenciar a percepção do eleitorado sobre sua integridade, um movimento crucial para as futuras disputas eleitorais.

O publicitário Raul Rabelo, à frente do marketing da campanha de reeleição do presidente Lula, exibiu o material aos petistas nesta domingo, 26 de abril de 2026. As peças desenvolvidas associam diretamente Flávio Bolsonaro a acusações de corrupção e ao escândalo do Banco Master, gerando um impacto direto na imagem pública do senador.

Um dos vídeos projetados à militância detalha como Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, obteve autorização para a abertura de sua instituição financeira durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, período em que Roberto Campos Neto presidia o Banco Central. A narrativa sugere um elo entre o poder político e as facilidades para o setor privado.

O mesmo material prossegue, apontando que Fabiano Zettel, cunhado e sócio de Vorcaro, realizou doações para as campanhas de Jair Bolsonaro e do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O vídeo conclui com o slogan incisivo: 'Banco Master é Bolso Master', reforçando a conexão entre os envolvidos e o sobrenome Bolsonaro.

Outra peça audiovisual utilizada na apresentação declara enfaticamente que Flávio Bolsonaro 'é dos esquemas'. O partido lista diversos episódios controversos envolvendo o filho mais velho do ex-presidente, incluindo as acusações de 'rachadinha' quando ele atuava como deputado estadual no Rio de Janeiro, prática que lesa a moralidade pública e a gestão de recursos.

A gravação ainda traz à tona a questão da compra de imóveis por Flávio Bolsonaro com pagamentos em dinheiro vivo, além da polêmica envolvendo funcionários com ligações milicianas que teriam sido empregados em seu gabinete quando ele era parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Tais fatos, se comprovados, comprometem seriamente a imagem de probidade.

O vídeo culmina com a contundente afirmação de que Flávio Bolsonaro seria o filho mais corrupto do ex-presidente. Concluindo a exposição, Rabelo revelou uma percepção-chave que emergiu após a exibição do material a grupos focais: a de que o senador 'não transmite confiança', um dado crucial para a estratégia de desconstrução.

Rabelo explicou a lógica por trás da tática: 'Ele [Flávio] está com a intenção de votos do bolsonarismo, do pai, e é natural que as pessoas comecem a olhar para ele agora. E a tarefa dele é construir isso e a nossa é desconstruir. O copo dele vai enchendo e a gente vai enchendo de coisa ruim, porque tem muita coisa ruim. Não podemos deixar ele jogar solto', argumentou o marqueteiro, revelando a intenção de saturar a imagem pública do senador com informações negativas.

Segundo a análise do marqueteiro, existem diversas abordagens para 'cravar' um 'anti-slogan' na figura de Flávio Bolsonaro. Ele citou expressões como 'filho mais corrupto do Bolsonaro', 'Flávio Bolso Master' e até o apelido 'Bolsonarinho', cunhado pelo ex-ministro Fernando Haddad, todas visando fragilizar a imagem do político.

Rabelo concluiu a apresentação enfatizando que, 'no final das contas, o que tudo isso passa é essa ideia de que ele não transmite confiança ainda. Pode ser que ele consiga construir isso, mas ele precisa passar por um processo de construção de confiança, mas o que nós vemos nas pesquisas qualitativas é que isso ainda não está consolidado', sublinhando a vulnerabilidade percebida na credibilidade do senador.

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