ELEIÇÕES 2026
PT e PL ampliam disputa judicial no TSE com ações sobre IA, propaganda e redes sociais
Partidos intensificam batalhas jurídicas no Tribunal Superior Eleitoral a quatro meses do pleito, com foco em inteligência artificial e difamação.
A pouco mais de quatro meses das eleições, PT e PL intensificaram a disputa jurídica no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Juntas, as duas siglas responderam por mais de 80% das 79 representações relacionadas ao pleito protocoladas na Corte até a última semana. Enquanto aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pressionam por medidas mais rígidas contra conteúdos produzidos com inteligência artificial, o grupo do senador Flávio Bolsonaro tenta barrar publicações que associem o parlamentar a escândalos como o do Banco Master.
O PL lidera o número de ações no TSE, com 38 representações. Entre elas está um pedido contra a circulação de um vídeo impulsionado pelo PT sobre o caso Banco Master. Na peça, um narrador fala sobre o suposto escândalo enquanto imagens de Flávio Bolsonaro e aliados aparecem na tela sob a frase: “Banco Master: quando você vira as cartas, os nomes aparecem”. O PL sustenta que o material cria uma “narrativa visual de ilicitude” e caracteriza propaganda eleitoral negativa antecipada. A divulgação ocorreu antes de Flávio admitir ter tratado com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, sobre pagamentos destinados ao financiamento de um filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O PT também recorreu ao TSE para reagir a conteúdos ligados ao caso Master. Em março, a legenda acionou a Corte contra o PL por causa de um vídeo intitulado “A grande quadrilha”, que relacionava o governo Lula ao escândalo do banco e às fraudes investigadas no INSS. A peça explorava suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, e pessoas investigadas por desvios em aposentadorias. Os petistas afirmam que o material possui “caráter eleitoreiro”, é “leviano” e utiliza inteligência artificial de maneira irregular.
O uso de ferramentas de IA também motivou uma ação do PT contra os vídeos da personagem “Dona Maria”, avatar criado artificialmente que critica o governo federal com linguagem agressiva e tom popular. A figura foi desenvolvida pelo motorista de aplicativo Daniel Cristiano dos Santos e reúne centenas de milhares de seguidores em plataformas digitais. Personagens produzidos por inteligência artificial, conhecidos como synthfakes, passaram a ser utilizados tanto por perfis alinhados ao governo quanto por opositores.
A federação integrada pelo PT acionou o TSE contra as contas ligadas à personagem e também contra empresas como Meta Platforms, ByteDance, Google e X Corp.. O pedido inclui suspensão e remoção dos perfis, além do reconhecimento da ilegalidade das publicações por ausência de identificação clara de uso de IA e pela utilização de contas anônimas para propaganda política. O partido aponta possíveis “crimes contra a honra eleitoral”.
Nos bastidores da campanha petista, há avaliação de que, em 2022, o grupo de Lula atuou de maneira excessivamente defensiva diante das ofensivas judiciais do bolsonarismo. Agora, a coordenação jurídica deverá ficar sob responsabilidade do advogado Marco Aurélio de Carvalho, ligado ao grupo Prerrogativas. “A principal preocupação é a utilização indevida e criminosa da IA para confundir a opinião pública e produzir falsas verdades, trazendo prejuízos irreparáveis aos candidatos e à democracia. Acredito, pessoalmente, que essa vedação deveria ser mais ampla do que a proposta feita inicialmente”, afirmou Carvalho.
Do lado do PL, a coordenação jurídica da pré-campanha de Flávio Bolsonaro ficará a cargo da advogada Maria Claudia Bucchianeri, ex-ministra substituta do TSE indicada por Jair Bolsonaro em 2021. O grupo também conta com o advogado Tracy Reinaldet, conhecido por sua atuação em processos da Operação Lava Jato. Aliados do senador afirmam que a estratégia será defender a liberdade de expressão nas redes e evitar remoções de conteúdos críticos ao governo. O partido também pretende insistir na necessidade de regras uniformes para identificação de conteúdos produzidos por inteligência artificial, mas resiste a medidas que possam ser interpretadas como censura seletiva.
Além das disputas envolvendo o Banco Master, o PL acionou o TSE contra o pronunciamento oficial de Lula no Dia do Trabalhador, alegando possível uso eleitoral da cadeia nacional de rádio e TV. A legenda também questionou uma pesquisa divulgada após a repercussão do caso “Dark horse”, na qual Lula aparecia numericamente à frente de Flávio Bolsonaro. O instituto responsável negou irregularidades.
A atual composição do TSE é vista com atenção pelos dois grupos políticos. A Corte é presidida pelo ministro Kassio Nunes Marques, tendo como vice André Mendonça, ambos indicados ao Supremo Tribunal Federal pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Nesta segunda-feira, 25/05/2026, Nunes Marques definiu a equipe que ficará responsável pelas representações sobre propaganda eleitoral, incluindo também a ministra Ana Estela Aranha. Pela nova sistemática, decisões liminares deverão ser submetidas rapidamente ao plenário do tribunal. A ofensiva da oposição também alcançou medidas recentes do governo federal para regulamentação das plataformas digitais. Um dos coordenadores da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho, apresentou projeto para sustar o decreto assinado por Lula que amplia obrigações das plataformas na remoção de conteúdos considerados criminosos.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário