ESTRATÉGIA NACIONAL
Por que Minas Gerais decide as eleições presidenciais desde 1998
Com 16 milhões de eleitores, o estado reflete a diversidade do país e atrai o foco dos pré-candidatos de 2026.
A cada ciclo eleitoral, uma máxima se reafirma no cenário político brasileiro: o caminho para a Presidência da República passa por Minas Gerais. Desde 1998, o candidato que conquistou a maioria dos votos mineiros nunca perdeu a eleição presidencial, conforme dados históricos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Essa tradição não é mera coincidência; ela reflete a complexa identidade do estado, que, com seu vasto e diverso eleitorado, atua como um verdadeiro termômetro da vontade nacional, moldando as campanhas e a própria trajetória democrática do país.
Em disputas acirradas, como as de 2014, 2018 e 2022, os percentuais de votos obtidos pelo presidenciável eleito em Minas Gerais foram notavelmente semelhantes aos resultados nacionais. Esse padrão consolidou a percepção de Minas como um “estado-chave”, levando pré-candidatos e seus articuladores a elaborar estratégias minuciosas para atrair o voto dos mineiros, buscando aliados e palanques fortes em todo o território.
Apesar de não haver uma base científica irrefutável para essa máxima, como aponta o cientista político Carlos Ranulfo, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ele ressalta que o estado é, de fato, “diferenciado”. Minas Gerais faz fronteira com seis outros estados e possui regiões internas com características muito distintas que, de certa forma, espelham outras partes do Brasil.
Com 16 milhões de eleitores, o segundo maior colégio eleitoral do país, Minas oferece um microcosmo da realidade brasileira. O Nordeste mineiro, por exemplo, é cultural e socioeconomicamente parecido com o Nordeste brasileiro. O Sul do estado se alinha às influências de São Paulo, enquanto a Zona da Mata reflete a proximidade com o Rio de Janeiro. O Triângulo Mineiro, por sua vez, tem afinidades com Brasília e Goiás.
“Pode-se dizer que Minas representa um microcosmo: tem um pouco do Sudeste, um pouco do Centro-Oeste, do Nordeste”, explica Ranulfo. Essa diversidade, aliada à grande quantidade de municípios e a uma capital que não centraliza a força política como em outros estados, contribui para que cada região, com suas peculiaridades, seja influenciada por polos mais próximos.
Além dos fatores geográficos, Minas Gerais também exibe índices socioeconômicos e demográficos que se assemelham aos do Brasil. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado, de 0,774, é muito próximo ao nacional, de 0,786. No aspecto racial, segundo o IBGE, 46,8% dos mineiros se declaram pardos, 41,1% brancos e 11,8% pretos, números bastante similares aos 45,3% de pardos, 43,5% de brancos e 10,2% de pretos na população brasileira.
De olho nessa relevância, os pré-candidatos à Presidência da República em 2026 já estão com suas estratégias em curso para garantir um palanque robusto em Minas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), buscando a reeleição, tem articulado para que o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) dispute o governo mineiro, consolidando-o como seu representante e ponto de apoio na campanha.
A candidatura de Pacheco, contudo, ainda não foi formalizada; aliados sugerem que ele aguardará até meados do ano para avaliar sua viabilidade. Caso se confirme, Pacheco deverá enfrentar Mateus Simões (PSD), atual governador e sucessor de Romeu Zema (Novo). Simões é a aposta de Zema, também pré-candidato à presidência, para manter seu grupo político no comando do estado.
Curiosamente, o próprio Romeu Zema é alvo de interesse de outro pré-candidato: Flávio Bolsonaro (PL). Alas do Partido Liberal enxergam no ex-governador de Minas Gerais o nome ideal para compor a chapa como vice-presidente. Enquanto isso, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), também articula planos para o eleitorado mineiro, apostando na influência de seu novo partido. Há expectativa de que Simões apoie Caiado, garantindo-lhe palanques nas diversas prefeituras do PSD no estado.
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