ELEIÇÕES E PROPOSTAS

Plano de Flávio radicaliza propostas de Bolsonaro com STF e segurança

Foto de Jair Bolsonaro ao lado de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL.
Ex-presidente Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro (PL) durante anúncio de diretrizes da campanha.

Candidato à Presidência detalha reforma no Judiciário e uso de presídios inspirados no modelo de Nayib Bukele

O plano de governo do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) mantém a base liberal e conservadora que sustentou a gestão de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas imprime um tom mais agressivo em pautas estratégicas. As diretrizes da campanha, oficializadas nesta quinta-feira (13/8), consolidam a continuidade do projeto bolsonarista ao mesmo tempo em que aprofundam propostas específicas para a organização do Estado.

A principal marca do novo plano é a ofensiva direta contra a atual estrutura do Supremo Tribunal Federal (STF). Pela primeira vez em um programa desse espectro político, o candidato estabelece um capítulo voltado ao redesenho da relação entre os Poderes, propondo reformas profundas na Corte. Entre as medidas, destaca-se a imposição de limites a decisões monocráticas e a criação de uma quarentena de um ano para ministros de Estado que almejam uma cadeira no Supremo — regra que, se estivesse em vigor, teria impedido as indicações de André Mendonça e Flávio Dino.

No campo da segurança pública, a retórica torna-se prática estrutural. Flávio propõe importar o modelo carcerário do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, visando o isolamento rigoroso de lideranças criminosas. O projeto prevê a criação do Complexo Federal de Segurança Máxima, apelidado de TREVA, e a construção de cinco novas penitenciárias federais. A promessa é de zerar o déficit carcerário nacional em quatro anos, com a abertura de 500 mil vagas em todo o país.

O pacote penal de Flávio é extenso e inclui pautas de alto impacto social, como a redução da maioridade penal para 16 anos, a castração química para condenados por crimes sexuais e o fim da progressão de regime para sentenciados por delitos hediondos. O candidato também promete investir pesadamente em tecnologia de vigilância, com a implementação da chamada “Muralha Brasileira”, um sistema de monitoramento via reconhecimento facial que visa integrar bases de dados criminais em escala nacional.

Apesar das mudanças no Judiciário e da radicalização na segurança, o núcleo econômico do programa permanece alinhado ao legado de 2022. Flávio reitera bandeiras como a desburocratização, a privatização de estatais e a responsabilidade fiscal. Na área educacional, o candidato reforça o compromisso com as escolas cívico-militares e o uso de vouchers, mantendo o foco na centralidade da família e na oposição ao que chama de “doutrinação” nas salas de aula.

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