CRISE POLÍTICA
Michelle Bolsonaro reage a crise de Flávio com silêncio estratégico
Ex-primeira-dama evita comentar suposta negociação de R$ 134 milhões do senador Flávio Bolsonaro. Declaração feita em evento nesta terça, 19 de maio de 2026, em Brasília.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro decidiu manter silêncio sobre a crise que envolve a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), surgida após a divulgação de áudios que indicam uma suposta negociação de R$ 134 milhões com o banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão de não se manifestar, tomada nesta terça-feira, 19 de maio de 2026, durante um evento em Brasília, impacta diretamente a dignidade política do clã Bolsonaro e a dinâmica das eleições vindouras. Ao optar por não defender o enteado, Michelle sinaliza um distanciamento estratégico, levantando questionamentos sobre a solidez das alianças e o futuro das candidaturas.
Na saída do lançamento da pré-candidatura de Maria Amélia, renomada empresária do setor de docerias em Brasília, Michelle foi taxativa: o assunto não lhe dizia respeito. "Sobre Flávio, você tem que perguntar para ele", declarou a ex-primeira-dama, recusando-se a ponderar sobre o peso da controvérsia na corrida eleitoral do senador. A postura evitou uma defesa pública, mas, ao mesmo tempo, deixou a questão em aberto e sem um apoio explícito da figura política.
O senador Flávio Bolsonaro já havia admitido ter solicitado fundos ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, com o objetivo de financiar o filme "Dark Horse", produção que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro. Nesta terça-feira, 19 de maio de 2026, o próprio senador revelou ter visitado Vorcaro após a decretação de sua prisão domiciliar. Contudo, Flávio afirmou que o encontro teve como propósito informar a desistência da ajuda financeira, alegando ter constatado a gravidade das acusações que pesavam contra o banqueiro.
Ainda durante o evento, Michelle utilizou o palco para enaltecer o senador Eduardo Girão (Novo-CE) e defender sua pré-candidatura ao governo do Ceará. Em um tom assertivo, ela aproveitou a ocasião para criticar abertamente a aliança firmada por setores bolsonaristas com o grupo político de Ciro Gomes (PSDB) no Estado. "Se tiver que perder, vamos perder com dignidade. A gente não vai fazer aliança com o mal. Aqui não é projeto de poder", pontuou a ex-primeira-dama, em uma clara demarcação ideológica.
Essa postura reflete uma tensão latente: Ciro Gomes é o centro de um embate entre Michelle e a liderança do PL cearense, responsáveis por costurar a controversa aliança. A ex-primeira-dama mantém viva a mágoa pelos ataques proferidos por Ciro contra seu marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, evidenciando que as feridas políticas ainda não cicatrizaram e a ética partidária, para ela, prevalece sobre a conveniência eleitoral.
Conteúdo Estadão
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