Ataque

Haddad chama Flávio Bolsonaro de “Bolsonarinho” e protetor de super-ricos

Fernando Haddad e Flávio Bolsonaro discutem reforma tributária e taxação de ricos.
Fernando Haddad (esq.) e Flávio Bolsonaro (dir.) em debate sobre a justiça fiscal no país.

Ex-ministro detalha reforma que taxa acima de R$ 1 milhão, contra R$ 2.000 cobrados antes.

Fernando Haddad (PT-SP), ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, intensificou o debate sobre justiça fiscal ao criticar publicamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta quarta-feira, 22 de abril de 2026. Em um vídeo divulgado em seu perfil no X, Haddad chamou o senador de "Bolsonarinho" e acusou-o de proteger os "super-ricos" ao espalhar "desinformação" sobre a reforma tributária. Este embate eleva a discussão sobre quem se beneficia das políticas de impostos no país e os efeitos diretos na dignidade de milhões de brasileiros, especialmente aqueles com menor poder aquisitivo.

Haddad desmascarou as afirmações de Bolsonaro, que teria criticado a reforma tributária e a equiparado a uma "mistura de alho com bugalho". O ex-ministro contestou a ideia de que um empresário, ao transferir mais de R$ 50.000 da empresa para sua conta pessoal, pagaria 10% a mais de imposto. Ele esclareceu que "se o empresário tiver pago o imposto pela alíquota cheia em sua empresa, ele não paga nada a mais".

Em defesa da reforma do Imposto de Renda, Haddad reforçou que os verdadeiros impactados pelo aumento na cobrança serão aqueles com rendimentos superiores a R$ 1 milhão anuais. "Flávio Bolsonaro espalha desinformação para beneficiar os super-ricos. Não é para ajudar os verdadeiros profissionais liberais que vivem do seu trabalho", sentenciou o pré-candidato. Ele confrontou a visão de que seria "absurdo cobrar de quem ganha muito e não paga coisa alguma", afirmando: "Eu penso o contrário".

O pré-candidato não poupou críticas ao governo anterior, liderado por Jair Bolsonaro (PL). Segundo Haddad, durante aquela gestão, trabalhadores que recebiam R$ 2.000 mensais eram obrigados a pagar imposto, enquanto fortunas de R$ 50.000 mensais permaneciam isentas. "Bolsonaro foi ainda mais cruel", enfatizou, ao recordar que o governo "congelou a tabela no meio da pandemia, na maior inflação de alimentos em décadas".

Haddad detalhou sua visão em uma mensagem extensa. "Moçada, vocês sabiam que com o Bolsonaro quem ganhava apenas R$ 2.000 por mês já pagava imposto de renda? Com a gente, quem ganha até R$ 5.000 não paga nada. E até R$ 7.000 paga um pouco menos. Por que eu estou falando isso de novo?", questionou ele.

O pré-candidato prosseguiu: "Porque apareceu um vídeo do Bolsonarinho, em que ele critica a reforma tributária que fizemos, misturando alho com bugalho. Ele diz que o empresário que mandar mais de R$ 50.000 da empresa para a conta pessoal, vai pagar mais 10% de imposto. Mas isso não é bem assim. Se o empresário tiver pago o imposto pela alíquota cheia em sua empresa, ele não paga nada a mais."

Ele enfatizou quem realmente será taxado: "Quem de fato vai pagar mais imposto de renda? Gente que ganha mais de R$ 1 milhão por ano e não pagava nada ou quase nada. Ou seja, pagava menos do que um professor ou um policial. Ele cita os profissionais liberais, mas 99% desses trabalhadores não ganham mais do que um milhão por ano e não serão atingidos."

Haddad reafirmou sua posição: "Flávio Bolsonaro espalha desinformação para beneficiar os super-ricos. Não é para ajudar os verdadeiros profissionais liberais que vivem do seu trabalho. Para ele, parece que é um absurdo cobrar de quem ganha muito e não paga coisa alguma. Eu penso o contrário."

E concluiu com a dimensão social: "Absurdo é quem ganha R$ 2.000 por mês pagar imposto de renda e muita gente que ganhava mais de R$ 50.000 por mês não pagar nada. Era isso que acontecia no governo do pai dele. Temer e Bolsonaro deixaram a tabela do imposto de renda congelada por 6 anos. Bolsonaro foi ainda mais cruel. Congelou a tabela no meio da pandemia, na maior inflação de alimentos em décadas. Até hoje, o preço de alguns alimentos é mais sentido na população por causa daquele período em que 33 milhões de brasileiros passaram fome enquanto um monte de bilionário não pagava imposto. O que nós fizemos foi corrigir essa injustiça, atualizando a tabela do Imposto de Renda. E fomos muito além, porque enfrentar a injustiça é o que me fez entrar para a política."

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