ATAQUE À OPOSIÇÃO
Governo diz que encontro de Flávio Bolsonaro com Trump foi cortina de fumaça
Aliados de Lula afirmam que Flávio Bolsonaro buscou desviar o foco de sua relação com Daniel Vorcaro e das polêmicas sobre R$ 61 milhões.
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticaram a ida do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL – RJ) aos Estados Unidos. O senador esteve na Casa Branca nesta 3ª feira (26.mai.2026) e se reuniu com o presidente norte-americano Donald Trump no Salão Oval.
O discurso adotado por integrantes da base governista foi o de que a agenda em Washington seria uma tentativa de redirecionar a atenção pública para longe das polêmicas envolvendo a relação de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão foi criticada por ministros e parlamentares governistas, que consideram a manobra uma cortina de fumaça.
O ministro Guilherme Boulos (Psol), da Secretaria-Geral da Presidência, disse em entrevista ao programa Poder e Mercado, do Canal UOL, que a família Bolsonaro “se humilha” diante dos Estados Unidos e afirmou que “ninguém respeita puxa-saco”. O ministro também ironizou a pauta de segurança pública apresentada por Flávio a Trump e questionou se o senador pediu ao presidente norte-americano para classificar milícias do Rio de Janeiro como organizações criminosas.
O deputado Lindbergh Farias (RJ), vice-líder do PT na Câmara, seguiu a mesma linha. Em publicação nas redes sociais, chamou Flávio, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o jornalista Paulo Figueiredo de “três patetas com Trump”. O petista disse que a viagem seria uma tentativa de produzir uma foto com o republicano para desviar o foco da repercussão do caso envolvendo Vorcaro. “O que ele quer é se livrar da repercussão do caso do Vorcaro. Os R$ 61 milhões que eles pegaram”, disse o deputado em publicação nas redes sociais.
O ex-ministro e pré-candidato a deputado por São Paulo, José Dirceu (PT), também criticou o encontro. Disse em publicação nas redes sociais que Flávio foi aos EUA acompanhado de “dois fugitivos”, em referência a Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, e afirmou que o senador viajou para “conspirar contra o Brasil”. “Ele está fugindo dos problemas no Brasil, né, porque o Cláudio Castro está sendo investigado e a pergunta que está se fazendo é quem apresentou o Vorcaro para quem? Foi o Flávio Bolsonaro que apresentou o Vorcaro para o Cláudio Castro, para desviar R$ 4 bilhões do RioPrevidência para o Grupo Master, ou foi o contrário?”, questionou Dirceu.
A relação de Flávio com Vorcaro passou a ser explorada por adversários depois da revelação de que o senador buscou financiamento com o fundador do Banco Master para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro, o “Dark Horse”. Flávio nega irregularidades e diz que a negociação foi privada e legal.
Depois do encontro com Trump, Flávio disse a jornalistas em Washington que tratou com o presidente norte-americano de temas como crime organizado, tarifas comerciais, terras-raras e minerais críticos. Também afirmou ter pedido apoio dos EUA para classificar facções brasileiras como organizações terroristas.
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