O "super-secretário"

Consignados, passivos fiscais e crise financeira desafiam discurso de Cadu Xavier e impõem teste de credibilidade à campanha do PT

Consignados, passivos fiscais e crise financeira desafiam discurso de Cadu Xavier e impõem teste de credibilidade à campanha do PT
Cadu Xavier era o "super-secretário" de Fátima Bezerra

O episódio mais sensível envolve a dívida dos empréstimos consignados dos servidores estaduais.

A campanha de Cadu Xavier (PT) ao Governo do Rio Grande do Norte começa sob o peso de uma questão difícil de contornar: convencer o eleitorado de que pode solucionar problemas cuja gestão esteve sob sua responsabilidade por quase sete anos à frente da Secretaria Estadual da Fazenda.

Principal formulador da política econômica da administração da governadora Fátima Bezerra (PT), Cadu deixou o cargo apenas em março deste ano para disputar a sucessão estadual. Durante esse período, acumulou influência dentro do governo e ganhou o status de "super-secretário", participando das principais decisões administrativas e fiscais da gestão petista.

Agora, a experiência que o credenciou como candidato também se transforma em um dos principais argumentos da oposição.

O episódio mais sensível envolve a dívida dos empréstimos consignados dos servidores estaduais. Em audiência na Assembleia Legislativa, Cadu informou que o Estado acumulava R$ 363,3 milhões em valores descontados dos contracheques entre maio de 2023 e março de 2026 que não haviam sido repassados às instituições financeiras. Posteriormente, o Banco do Brasil apresentou cobrança de R$ 377,4 milhões referente ao mesmo passivo.

O caso provocou forte desgaste para o governo por atingir diretamente milhares de servidores públicos, que tiveram parcelas descontadas em folha enquanto os repasses deixaram de ser realizados dentro dos prazos previstos.

Os desafios, entretanto, não se limitam aos consignados.

Os indicadores fiscais também passaram a alimentar o discurso dos adversários. No primeiro quadrimestre deste ano, as despesas com pessoal do Poder Executivo atingiram 56,12% da Receita Corrente Líquida Ajustada, percentual acima do limite de 49% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Ao mesmo tempo, diante da frustração de receitas, o Governo do Estado ampliou o contingenciamento de despesas de R$ 306 milhões para R$ 497,4 milhões, enquanto a União precisou honrar R$ 84,32 milhões em parcelas de dívidas estaduais garantidas pelo governo federal.

A administração estadual atribui esses episódios a dificuldades temporárias de fluxo de caixa e sustenta que mantém o equilíbrio fiscal. Para adversários, porém, os números revelam problemas de gestão que comprometem o discurso de responsabilidade financeira apresentado pelo candidato petista.

No campo político, o cenário cria um desafio adicional para Cadu Xavier. Ao mesmo tempo em que tenta apresentar sua experiência na condução da economia estadual como um diferencial, terá de responder por resultados que incluem atrasos em repasses, pressão sobre as contas públicas, contingenciamento de despesas e críticas à situação fiscal do Estado.

A estratégia da oposição tende a explorar justamente essa contradição: questionar como o principal responsável pela política econômica de um governo marcado por sucessivas dificuldades financeiras poderá convencer o eleitor de que representa a mudança para uma administração mais eficiente.

Com a campanha entrando em sua fase mais intensa, a gestão fiscal da administração Fátima Bezerra deverá ocupar espaço central no debate eleitoral. E, nesse cenário, Cadu Xavier terá o desafio de dissociar sua candidatura dos problemas acumulados ao longo do período em que comandou a área econômica do Estado — uma tarefa que pode se tornar um dos maiores testes de credibilidade de sua campanha.

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