FEDERAÇÃO EM ALERTA

Allyson Bezerra minimiza atritos entre Kelps e deputados: 'Normal existir animosidade'

Allyson Bezerra em entrevista, falando sobre política no Rio Grande do Norte.
Allyson Bezerra, pré-candidato ao Governo do Estado, minimiza conflitos internos na Federação União Progressista.

Pré-candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra, defende que divergências são naturais em nominatas competitivas e nega ruptura interna na União Progressista para 2026.

O pré-candidato ao Governo do Estado Allyson Bezerra (União) minimizou os conflitos públicos que marcam a nominata da Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, para a disputa de deputado federal em 2026. Em entrevista ao programa Comando 97, da rádio 97 FM, o ex-prefeito de Mossoró afirmou que as divergências são naturais em uma chapa competitiva e negou um ambiente de ruptura entre os integrantes do grupo.

Ao ser questionado sobre os embates envolvendo o ex-deputado estadual Kelps Lima (União) e os deputados federais Robinson Faria (PP), João Maia (PP) e Benes Leocádio (União), Allyson destacou a força da nominata e classificou os atritos como esperados em uma disputa eleitoral. Como exemplo, citou um conflito recente no PL entre a deputada federal Carla Dickson e a vereadora de Natal Nina Souza.

“Na verdade, a nominata da federação é extremamente robusta, forte. Vai fazer três deputados federais. É normal existir uma ou outra animosidade. Outro dia mesmo, no PL, a gente viu um arranca-rabo de candidatas brigando em entrevistas. Isso pode acontecer na nominata do PL, na nominata da federação do PT e na federação do União Brasil”, afirmou.

O pré-candidato ao governo também procurou transmitir uma imagem de unidade interna, declarando boa relação com todos os integrantes do grupo político.

“Agora, o ambiente interno é extremamente positivo. Há um bom relacionamento interno, pelo menos da minha parte, da parte do ex-senador José Agripino, que é o presidente do União Brasil, dos deputados, de Kelps”, declarou.

Allyson reconheceu a possibilidade de uma disputa intensa pelas vagas na Câmara dos Deputados, contexto em que conflitos internos podem ocorrer. “São quatro candidatos fortíssimos, embora tenhamos outros candidatos também. Eu digo o seguinte: a gente sabe como começa uma campanha, só que o resultado na urna a gente não sabe como é. Eu fui candidato a deputado em 2018 e ninguém achava que eu poderia ser eleito. Ao final, eu ganhei uma cadeira, fui eleito deputado estadual e a história vocês já conhecem”, disse.

As declarações surgem em meio ao aumento da tensão dentro da federação. Nos últimos dias, Kelps Lima direcionou críticas públicas cada vez mais duras contra Robinson Faria, classificado como um dos principais adversários políticos na disputa proporcional. Em uma das declarações, chegou a afirmar que o ex-governador foi o “pior governador dos últimos 40 anos” do Rio Grande do Norte.

Anteriormente, Kelps também havia incluído João Maia e Benes Leocádio no mesmo rol de críticas, argumentando que os três representariam uma forma de fazer política a ser renovada.

A escalada dos ataques gerou preocupação na cúpula da Federação União Progressista. Dirigentes e lideranças do grupo entendem que Robinson, João Maia e Benes não são adversários externos, mas integrantes da mesma aliança que sustenta a pré-candidatura de Allyson ao Governo do Estado.

Diante do agravamento da crise, o tema foi discutido em uma reunião realizada na segunda-feira 22, que reuniu Allyson, o ex-senador José Agripino Maia, os deputados federais Robinson Faria, João Maia e Benes Leocádio. O encontro teve como principal objetivo conter o avanço das hostilidades públicas e evitar que a disputa pela nominata federal contaminasse o projeto majoritário da federação.

Segundo informações obtidas nos bastidores, a avaliação apresentada durante a reunião foi de que os ataques passaram a produzir desgaste não apenas entre os pré-candidatos a deputado federal, mas também sobre a construção da candidatura de Allyson ao Governo do Estado. Lideranças da federação defenderam a necessidade de preservar a unidade política do grupo e evitar novas manifestações que aprofundem as divergências.

A preocupação decorre do peso político dos alvos das críticas de Kelps. Robinson Faria, João Maia e Benes Leocádio possuem mandato, estrutura eleitoral consolidada e influência em diferentes regiões do Rio Grande do Norte. Conflitos públicos entre nomes que integram a mesma aliança fornecem munição aos adversários e dificultam a construção de um palanque unificado para a disputa estadual.

Apesar desse cenário, Allyson adotou um discurso conciliador na entrevista. Em vez de reforçar críticas ou demonstrar preocupação com a crise, preferiu enquadrar os episódios como parte da dinâmica natural de uma nominata competitiva, sustentando que o relacionamento interno permanece preservado e que o foco principal continua sendo a preparação para a campanha eleitoral de 2026.

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