CELULAR NA ESCOLA
Proibição de celular na escola tem efeito surpreendente, diz estudo do NBER
Pesquisa em 5 mil escolas americanas revelou impactos inesperados no bem-estar e disciplina. O desempenho acadêmico, no entanto, mostrou pouca variação.
Uma pesquisa abrangente com quase 5 mil escolas públicas nos Estados Unidos, conduzida pelo NBER (National Bureau of Economic Research), revelou que a proibição do uso de celulares durante o período escolar, por meio de bolsas lacráveis, gerou um impacto complexo e surpreendente no ambiente educacional. A decisão, tomada para avaliar os efeitos dessa restrição física mais rígida em comparação a outras políticas, visa trazer dados concretos para o debate educacional. A importância dessa discussão reside na busca por um ambiente escolar mais propício ao aprendizado e ao bem-estar dos estudantes, com os resultados sendo apresentados nesta sexta-feira, 13/06/2026.
O estudo analisou o período de 2023 a 2025, com pesquisadores de Stanford, Duke, Penn e Michigan investigando o uso de bolsas lacráveis que impedem o acesso aos aparelhos. Os alunos guardam o celular ao chegar e só o recuperam na saída. Esse modelo, que confina o aparelho ao estudante, mas o torna inacessível, foi escolhido para uma medição precisa dos efeitos da restrição total.
As bolsas lacráveis, compostas por cases de tecido com trava magnética, exigem o uso de bases específicas para serem abertas, geralmente ao final do turno ou em situações de emergência. Essa metodologia busca garantir que o acesso ao dispositivo seja de fato impedido durante o horário de aulas.
Impactos Observados:
- Uso de Celular: Dados de GPS indicaram uma redução de aproximadamente 30% na atividade de dispositivos dentro das escolas. Professores relataram uma queda de quase 80% no uso pessoal em sala de aula, de 61% para 13%.
- Desempenho Acadêmico: O efeito médio sobre as notas foi próximo de zero. Houve uma leve melhora em matemática no ensino médio e uma pequena piora nos anos finais do ensino fundamental, resultando em um equilíbrio geral.
- Bem-estar: Inicialmente, o bem-estar subjetivo dos alunos caiu cerca de 0,2 desvios-padrão, considerado significativo. No entanto, o indicador se recuperou e tornou-se positivo no segundo ano, interpretado como um período de adaptação.
- Disciplina: As ocorrências disciplinares aumentaram cerca de 16% no primeiro ano de implementação, com o efeito diminuindo com o tempo.
- Frequência e Atenção: Não foram observadas alterações significantes.
- Bullying Online: Nenhuma mudança significativa foi detectada.
Pesquisadores levantam hipóteses para a falta de melhora nas notas, como a substituição do celular por outras distrações, como conversas entre colegas, ou a perda de usos pedagógicos do aparelho em algumas escolas. Diferenças entre faixas etárias também foram apontadas, com alunos mais novos, com menor controle de impulsos, podendo se dispersar de outras formas, enquanto no ensino médio houve ganhos modestos, especialmente em matemática.
A pesquisa também ouviu pais e alunos, revelando divergências. A maioria dos pais apoia a proibição, esperando melhorias. Já os estudantes se mostram contrários, projetando benefícios menores. As evidências do estudo sugerem que nem os mais otimistas nem os mais céticos estão totalmente corretos quanto aos resultados.
No Brasil, a Lei nº 15.100, sancionada em janeiro de 2025, proíbe o uso de celulares em escolas públicas e privadas de educação básica, tornando-se uma das legislações mais abrangentes do mundo sobre o tema. O estudo americano, embora não ofereça respostas definitivas, fornece dados valiosos para o debate, evidenciando que a restrição do celular por si só não é uma solução mágica. Um ambiente escolar mais saudável pode ser promovido, mas requer preparo para gerenciar o período de adaptação e o que vem após a proibição.
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