AVALIAÇÃO ESTRATÉGICA

Empresa sueca avalia tornar Brasil hub de caças Gripen para América Latina

Caça Gripen em voo.
Caça Gripen em exibição.

Saab estuda produção em larga escala no Brasil para atender contratos atuais e futuros, incluindo potencial venda para a Ucrânia. Decisão impacta a indústria aeroespacial brasileira e a soberania tecnológica regional.

A empresa sueca Saab está considerando transformar o Brasil em um centro de produção de caças Gripen para a América Latina. A decisão, anunciada nesta sexta-feira, 05/06/2026, visa expandir a capacidade da planta da Embraer em território brasileiro para atender tanto clientes existentes quanto futuros. A iniciativa reforça a parceria estratégica entre as companhias e pode impulsionar a indústria aeroespacial nacional.

O presidente e CEO da Saab, Micael Johansson, confirmou que a empresa pretende maximizar o uso da estrutura da Embraer para cumprir o contrato firmado com a Colômbia. O acordo prevê a entrega de 17 aeronaves de combate Gripen entre 2026 e 2032, compreendendo 15 caças monopostos (Gripen E) e dois bipostos (Gripen F), além de equipamentos, armamentos, treinamento e serviços. O valor total do pedido colombiano é de 3,1 bilhões de euros.

Johansson explicou que a expansão da capacidade de produção no Brasil é uma estratégia inteligente para otimizar a execução do contrato colombiano. “Nós vamos expandir a capacidade aqui em Linköping, mas também vamos expandir a capacidade no Brasil. Então, é claro, quero dizer, nós faremos o máximo possível do contrato colombiano no Brasil. Essa é, obviamente, uma maneira muito inteligente de se fazer isso”, afirmou a jornalistas.

Além do mercado sul-americano, o Brasil pode se beneficiar da possibilidade de fabricar caças Gripen para a Ucrânia. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, manifestou a intenção de adquirir 20 novas aeronaves Gripen E da Saab, após a União Europeia aprovar um empréstimo de 90 bilhões de euros para o país. Embora nenhum contrato tenha sido assinado formalmente, Johansson indicou que a demanda ucraniana poderá ser atendida tanto na Suécia quanto no Brasil.

“Ainda não selecionamos exatamente onde as aeronaves ucranianas serão fabricadas, mas, esses são os hubs [Linköping e Gavião Peixoto] que temos. Portanto, a demanda para a fabricação de caças se dará tanto no Brasil quanto em Linköping, na Suécia”, declarou o CEO.

A parceria sueco-brasileira se fortalece com o acordo de compartilhamento de informações e tecnologia de defesa. Em março, a Embraer apresentou o primeiro caça Gripen E montado integralmente no Brasil. O programa de colaboração envolveu extenso treinamento para centenas de especialistas brasileiros em engenharia, montagem e manutenção.

Das 36 aeronaves Gripen adquiridas pela Força Aérea Brasileira (FAB), 15 terão a montagem final realizada na unidade da Embraer em Gavião Peixoto (SP), com entregas previstas até 2032. Empresas brasileiras como AEL Sistemas e Atech também contribuem com a produção de sistemas aviônicos, estruturas e componentes estratégicos.

“A demanda no mercado está aumentando por vários motivos, por conta das tensões geopolíticas que temos. Então, é claro, estamos muito felizes por termos outro polo para expandir. Nós vamos expandir a capacidade aqui em Linköping, mas também vamos expandir a capacidade no Brasil”, reiterou o CEO, destacando o cenário favorável para a expansão.

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