MEI GANHA FORÇA
Presidente da Câmara articula com governo aumento do limite de faturamento do MEI
Executivo deve enviar proposta de aumento do teto de faturamento até 24 de junho. Projeto de Lei Complementar, já aprovado no Senado, pode elevar limite anual para R$ 130.000 e permitir contratação de até 2 empregados.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que está em articulação com o governo federal para promover o aumento do limite de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI). A iniciativa surge após encontros com os ministros Bruno Moretti (Planejamento) e José Guimarães (Relações Institucionais).
Motta informou que o Executivo se comprometeu a apresentar uma proposta sobre o tema até a próxima quarta-feira, 24 de junho. O texto, uma vez enviado, será direcionado para análise de uma comissão especial na Câmara.
Atualmente, o teto anual de faturamento para se enquadrar como MEI é de R$ 81.000. Em discussão no Congresso, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 108 de 2021, que já passou pelo Senado e aguarda votação na Câmara, propõe elevar este limite para R$ 130.000. A proposta também visa autorizar o microempreendedor a contratar até dois empregados, ampliando as possibilidades de crescimento do negócio.
A relevância do tema se intensificou após a Câmara criar, em abril, uma comissão especial dedicada ao projeto. O deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC) foi designado relator, e a deputada Any Ortiz (Cidadania-RS) assumirá a presidência do colegiado. A pauta ganhou ainda mais tração com a recente aprovação do fim da escala 6 X 1 pela Câmara.
Internamente, o avanço da medida enfrentou resistência devido a preocupações com o impacto fiscal. Em 8 de junho, o ministro do Empreendorismo, Paulo Pereira, mencionou ao Poder360 que, embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha delegado ao ministério a tarefa de elaborar uma proposta, a equipe econômica manifestava objeções.
Qualquer reajuste no limite de faturamento implica uma renúncia de tributos, com um impacto estimado em até R$ 22,7 bilhões anuais, de acordo com a Consultoria de Orçamento da Câmara para 2026. Este valor reflete a magnitude da mudança em potencial para as contas públicas.
Além da elevação do limite de faturamento, o governo estuda a inclusão de outras medidas, como a permissão para que o MEI contrate um segundo funcionário, algo atualmente restrito a um empregado pela legislação. Há também o estudo de mecanismos para coibir fraudes na formalização e no faturamento.
O regime do MEI, instituído durante o segundo governo Lula, já conta com 18 milhões de microempreendedores individuais formalizados, demonstrando sua importância social e econômica para o país.
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