INDÚSTRIA EM ALERTA

Produção industrial do Rio Grande do Norte despenca 13,6% em abril, pior dado do país

Polo Industrial de Extremoz.
Produção industrial potiguar registrou a maior queda do país em abril.

Na contramão do crescimento nacional (2,7%), Estado sofre forte retração impulsionada por derivados de petróleo e alimentos. Analistas alertam para impacto social e na dignidade dos trabalhadores.

A produção industrial do Rio Grande do Norte sofreu o maior recuo do país em abril de 2026, com uma retração de 13,6% em relação ao mesmo período de 2025. Os dados, divulgados nesta terça-feira, 9 de junho de 2026, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) Regional, revelam o pior desempenho entre as unidades da federação pesquisadas. Esse resultado afeta diretamente a economia do Estado, com sérias implicações para a geração de empregos e o sustento de trabalhadores e suas famílias.

O cenário potiguar contrasta com a indústria brasileira como um todo, que avançou 2,7% no mesmo período. Doze dos 18 locais investigados apresentaram expansão, com destaque para Espírito Santo (32,9%) e Rio de Janeiro (10,1%), impulsionados pela extração de petróleo e gás natural.

Segundo o analista do IBGE Bernardo de Almeida, a queda no Rio Grande do Norte foi motivada principalmente pela retração de 27,8% na fabricação de coque, produtos derivados de petróleo e biocombustíveis. O setor de alimentos também contribuiu negativamente, com redução na produção de castanha de caju beneficiada, sorvetes, picolés, produtos gelados comestíveis, balas e outros confeitos sem cacau. O segmento de alimentos, especificamente, registrou nova queda de 1,7% em abril, após uma recuperação em março, mas ainda acumula retrações expressivas de 7,1% em janeiro e 17,4% em fevereiro.

Setores como a confecção de artigos do vestuário e acessórios e as indústrias extrativistas apresentaram avanços de 56% e 16,3% respectivamente, em relação a abril de 2025. No entanto, esses ganhos não foram suficientes para compensar as perdas nos setores de maior peso econômico do Estado.

Outros estados como Maranhão (-5,4%), Amazonas (-4,2%), Pernambuco (-3,8%), Pará (-2,8%) e Ceará (-0,4%) também registraram retração industrial em abril.

No acumulado dos primeiros quatro meses de 2026, a indústria potiguar acumula queda de 17,9% em relação ao mesmo período do ano passado. A fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis lidera as influências negativas (-29,9%), seguida pelas indústrias extrativistas (-5,6%) e pela fabricação de produtos alimentícios (-6,2%). A confecção de artigos do vestuário e acessórios continua como único ponto de sustentação, com expansão de 41,5% no acumulado do ano. Contudo, a análise de longo prazo, nos últimos 12 meses encerrados em abril, mostra uma queda geral de 12,4% na produção industrial do Rio Grande do Norte, evidenciando a dependência de segmentos voláteis e a dificuldade de recuperação geral.

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