IMPOSTOS NO TOPO
Governo federal impulsiona carga tributária ao maior nível em 15 anos
Estimativa do Tesouro Nacional para 2025 revela que 32,4% do PIB vai para os cofres públicos. Especialistas alertam para o impacto no poder de compra do cidadão.
A estimativa divulgada pelo Tesouro Nacional aponta que a carga tributária brasileira atingiu em 2025 o maior nível em 15 anos, alcançando 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Este recorde foi impulsionado principalmente pelo aumento da arrecadação de tributos federais, como o Imposto de Renda retido na fonte — reflexo do crescimento da massa salarial — e pela elevação das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Para a sociedade, a confirmação deste patamar recorde significa que um terço de toda a riqueza gerada na economia é direcionado aos cofres públicos, levantando questionamentos cruciais sobre o retorno em serviços de qualidade e o impacto direto no poder de compra e na dignidade do cidadão.
Este aumento na arrecadação é explicado primariamente pelo peso dos tributos federais. Além da maior coleta do Imposto de Renda e do IOF, o governo também implementou ajustes em outras taxas em 2025. Já a carga dos municípios registrou uma pequena elevação, puxada pelo crescimento do Imposto sobre Serviços (ISS), alinhado à expansão do setor de serviços. Apenas nos estados houve uma redução na carga tributária.
Com a estimativa deste novo recorde, 32,4% de tudo o que a economia brasileira produz é absorvido por impostos, taxas e contribuições. Especialistas consideram esse patamar excessivamente alto para um país ainda em desenvolvimento como o Brasil.
Em comparação com nações da América Latina, a carga tributária brasileira se mantém acima da média (o último dado disponível é de 2023). Por outro lado, ela se aproxima da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que congrega 38 países, a maioria com economias avançadas (com dado de 2024).
Flávio Ataliba, pesquisador do FGV Ibre, destaca a disparidade. “Quando comparamos com nossos vizinhos da América Latina, que têm uma carga tributária entre 20% e 25%, estamos muito fora da curva. E, ao nos aproximarmos dos países ricos da OCDE, que registram 34%, surge o grande problema: nossa renda é muito mais baixa que a deles, e eles entregam produtos e serviços públicos de alta qualidade, algo que não se compara com o que oferecemos. É aí que reside a grande questão dessa elevada carga tributária”, explica Ataliba, ressaltando o peso sobre o cidadão brasileiro.
O economista Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper, aponta para a falta de prioridade no controle de gastos. “Isso demonstra um esforço do governo para equilibrar as contas pelo aumento da receita, mas, em contrapartida, não há empenho para controlar despesas. Pelo contrário. Tanto o Poder Executivo quanto o Legislativo aprovam sucessivos aumentos de gastos que não se encaixam no orçamento, resultando em mais dívida pública e juros mais altos. Esses juros elevados, por sua vez, freiam investimentos e o crescimento econômico. Assim, caminhamos para um cenário de endividamento expressivo e crise fiscal, que impacta diretamente o futuro de todos os brasileiros.”
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