PCC EM TERRITÓRIO BOLIVIANO

Santa Cruz de La Sierra: cidade boliviana torna-se refúgio de líderes do PCC

Vista geral da cidade de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, destacada em investigações sobre o PCC.
Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, é apontada como refúgio para líderes do PCC.

Prisão de Gerson Palermo, um dos chefes da facção, em Santa Cruz de La Sierra reforça o status da cidade como base estratégica para o tráfico internacional e esconderijo de foragidos.

A cidade boliviana de Santa Cruz de La Sierra tem sido o centro de investigações sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC). A prisão de Gerson Palermo, um dos chefes da facção, nesta terça-feira (26), reforça o papel da cidade como um dos principais refúgios de líderes do grupo criminoso fora do Brasil, onde ele estava foragido há seis anos.

Autoridades brasileiras apontam Santa Cruz de La Sierra como uma base estratégica para o tráfico internacional de cocaína e para a proteção de criminosos foragidos. Segundo investigações da Polícia Federal e do Ministério Público, a facção utiliza a Bolívia como um local onde não são incomodados pelas autoridades locais, permitindo uma rotina de luxo para seus integrantes.

Reportagens revelaram que integrantes do PCC vivem em mansões, condomínios fechados e frequentam estabelecimentos comerciais sem chamar atenção. O promotor Gakiya descreve a situação: "Alguns têm restaurantes, boates e residem em condomínios extremamente luxuosos."

Entre os criminosos destacados está Sérgio Luiz de Freitas Filho, conhecido como “Mijão”, “Xixi” ou “2X”. Ele é apontado como o principal líder do PCC em liberdade, vivendo há mais de uma década em Santa Cruz de La Sierra com identidade falsa e frequentando imóveis de alto padrão. Documentos indicam que ele residiu em pelo menos seis propriedades luxuosas na cidade, com aluguéis que chegavam a quase R$ 30 mil mensais.

Outros nomes ligados ao PCC, como Fuminho, André do Rap e Tuta, também já passaram pela cidade boliviana. A presença de "lobos ferozes do narcotráfico internacional", como descrito pelo jornalista investigativo Guider Arancibia, que vive sob ameaça de morte, é uma denúncia recorrente.

A corrupção local é citada como um facilitador: "Aqui, com dinheiro, você fica impune. Compra juiz, promotor, compra tudo", afirma o fotógrafo Ditter Morales. O engenheiro Erlen Hurtado acrescenta: "A polícia aqui é corrupta".

Em meio à disputa presidencial boliviana, o candidato Jorge Quiroga prometeu combater o PCC, criticando o fato de os chefões da facção circularem livremente pela Bolívia, como se estivessem "em casa".

A Polícia Federal do Brasil assegura um monitoramento constante de foragidos e cooperação com a Bolívia, como exemplificado na prisão de Tuta. No entanto, falhas na cooperação são apontadas, com decisões judiciais brasileiras ficando "congeladas" na Bolívia, o que pode ser atribuído à corrupção, segundo Guider Arancibia.

Apesar dos desafios e da cooperação entre as polícias, a captura de integrantes da facção na região ainda é complexa. A operação que resultou na prisão de Palermo foi uma ação conjunta entre a Polícia Federal brasileira e a força boliviana de combate ao narcotráfico.

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